segunda-feira, 27 de março de 2017

EU SEI - IVO Capítulo I (8 de 8)


Vocês sabem. O que é inevitável acaba sempre por acontecer!
Eu e a Andreia começámos a sair novamente, os tios regressaram a casa deles, e a coisa estava a compor-se. Mas ai do homem que julga que uma mulher se esquece de alguma coisa. Está desgraçado. E eu estava desgraçado em dose dupla, e nem sequer sabia.
Como se estivessem combinadas, no mesmo dia a Sónia perguntou-me “E a tua amiga? Quando é que eu a conheço?”, e poucas horas depois a Andreia perguntou-me “E quando é que me apresentas a tua ex?”. É que eu já não me lembrava de nada. Juro!
Deixei passar. Burro!
As duas, ao notarem o meu silêncio, apertaram o cerco. E eu farto de estar tanto em casa como no trabalho a ouvir o mesmo, disparei para as duas ao mesmo tempo uma sms: “Sábado ao jantar. Pode ser?
Não é que as duas me enviaram o mesmo como resposta? Um Smile. Um desgraçado de um boneco amarelo sorridente!
Sim. E é verdade que fiquei Amarelo ao ver o boneco, e se tinha um sorriso na face, era bem amarelo. Mas no fundo concordo. O Smile era mesmo muito apropriado para esta ocasião.
Disse logo para mim que ali havia história! Mas também podia ser a minha mania da perseguição a manifestar-se....
Claro que era a minha mania de perseguição a funcionar. Mas ela já me tinha alertado bastas vezes e com razão. Mas por vezes não lhe ligava pevide.
E se tinha enviado a sms na quarta-feira, dei por mim sábado de manhã sem ter nada pensado nem preparado. As duas donzelas eram minhas convidadas e eu tinha de fazer tudo (mesmo tudo). E nem sequer ideia do que ia cozinhar (ou comprar feito).
Confesso que fiquei nervoso. A Sónia andava por casa mais que meio despida, e pelos olhares dela só assim estava para me provocar, mesmo para eu lhe dizer “Mas tu não te vais vestir? Queres que a moça chegue e te veja nesses preparos?” Resisti ao máximo e só lhe disse isso umas três ou quatro vezes!
E ela, feita dondoca, sentava-se no sofá dizendo “Já vou…”.
Foi só ao cair da noite que a campainha tocou, e eu e a Sónia já estávamos todos aperaltados, e fui logo acender as velas. E depois abrir a porta.
E não era a Andreia!
Era um tipo todo cheiroso e bem vestido, com um enorme ramo de flores na mão, a perguntar se ali era a casa da Sónia. Disse que sim e ao avistar a Sónia, esgueira-se e entra em minha casa, sob o meu mais atónito olhar.
Vou à sala e vejo que em vez dos três lugares na mesa que tinha tido tanto esmero em arranjar, estava colocado mais um!
De súbito a Sónia agarra-me os ombros por detrás e diz baixinho “Surpresa”.
E antes que pudesse pensar, agir ou dizer algo, a campainha toca novamente, e nesse instante juro que pensei no logo livro “O Hobbit”, na cena em que o Bilbo recebe sucessivas visitas de inúmeros anões.
Mas para meu grande alívio, desta vez era mesmo a Andreia.
Abracei-a carinhosamente e disse-lhe ao ouvido “A Sónia trouxe um tipo que deve ser o namorado dela. Eu não sabia de nada e ainda nem mo apresentou”.
Ao que ela me respondeu, também ao ouvido...
- Eu sei…

fim do capítulo I
(continua)