segunda-feira, 20 de março de 2017

EU SEI - IVO Capítulo I (5 de 8)


Mas se a Sónia fazia vida de solteira, saindo livremente, eu fazia vida era de Monge, só fazendo o trajecto trabalho casa e casa trabalho. E se ela rejuvenescia, eu definhava a olhos vistos!
Passou algum tempo. Sinceramente nem dei pelo tempo a passar, pois os dias e as semanas sucedem-se a um ritmo galopante.
Está cada vez mais quente, convidando a sair de casa. Ou em casa a andar mais despido…… Hum....Isto promete!
Nessa altura a Sónia raramente passava um fim-de-semana em casa. E mesmo durante a semana por vezes não passava lá o serão....
E eu? Mantinha hábitos semelhantes aos Monges Franciscanos. Só faltava mesmo aprender Canto Gregoriano!
Já andava muito desconfiado que a Sónia tinha um "arranjinho", pois quando estava quase sempre à mesma hora tocava o telemóvel, e ela tratava logo de se fechar no quarto, escapando por vezes o ruido (delicioso) das gargalhadas dela.
E eu? Colocava uns headphones e ouvia Linkin Park até me ficar a doer a cabeça!
Desde o principio houve um acordo (tácito) de não levarmos ninguém lá para casa. Nunca o verbalizamos mas era óbvio que era isso que ambos queríamos. Amigos eram frequentes lá em casa. Mais que amigos, não.
Confesso que quando a Sónia teve “a conversa” comigo, julgava que se tinha apaixonado por outra pessoa, e que mais cedo ou mais tarde iriam viver juntos e ela sairia lá de casa.
Aparentemente não foi isso que aconteceu. E estranhamente essa situação deixou-me irritado durante bastante tempo, pois uma coisa é ser trocado por outro homem, outra bem diferente é ser trocado por coisa nenhuma!
Se os sentimentos da Sónia por mim era um caso arrumado, já os meus por ela teimavam em não esmorecer, dando razão ao velho ditado “longe da vista, longe do coração”. É que a via quase todos os dias! E como “o fruto proibido é o mais apetecido”…..isto prometia eternizar-se.
Um dia por puro acaso reparei no olhar atento de uma jovem colega. Ela apercebeu-se que tinha notado que eu era o centro da sua atenção, e mudou.
Mudou de olhar atento para…. o de despir completamente o hábito de Frade Franciscano.
Eu fiquei verdadeiramente escandalizado. Afinal, já quase que me sentia um Homem Santo!
Eu acredito que deve haver algures uma lei que proíba as mulheres giras como aquela, de lançarem olhares pecaminosos a homens que escolheram a via do celibato. Ou coisa parecida....
Apesar disso devia ser pecado, caramba. E dos bem grandes!

(continua)