quarta-feira, 29 de março de 2017

EU SEI - ANDRÉ Capítulo II (1 de 5)


Sempre conheci o André confiante e positivo!
Apesar da sua vida ter sido por vezes madrasta, ele sempre achou que eram apenas momentos um pouco menos felizes, mas que a sorte grande estava ao virar da esquina.
É que mesmo nas situações mais aflitivas ele conseguia manter a calma e a confiança.

Mas centremo-nos na sua vida amorosa....
Sempre o conheci com Lúcia, a sua namorada de longa data. Só que volta não volta, ela desaparecia do radar dele.
E se a Lúcia desaparecia do radar do André, aparecia no sonar do seu melhor amigo, José de seu nome.

Mas o André era o único que não desconfiava de nada. Eu sei que fiz o que me competia, pois avisei-o diversas vezes. Ele confiava nela e pronto. E foi assim até ao fim.
Quando se espalhou que a Lúcia andava com o José, já ninguém mostrou surpresa. Afinal, já se desconfiava fortemente, e alguns afirmavam que já os tinham visto juntos.

Fui ter com o André a casa dele e encontrei-o catatónico, com os olhos parados, raiados de sangue. Aquela situação tinha-lhe batido forte, ainda mais do que imaginava.

A mãe dele fez-me um gesto de “anda para aqui”. Em surdina pediu-me silêncio e eu não falei. Não era preciso.

Triste e revoltado, fui-me embora. Nada podia fazer.
Mãe e filho abalaram para a terra dela, lá para os lados de Mirandela. Afastá-lo daquele ambiente era uma medida sensata, pensei. E nunca mais o vi.
Até hoje!
Estava no café quando o vejo a chegar rua acima.

Tinham-se passado uns oito anos desde que ele partiu, mas por cima dele nem um ano passou, isso posso mesmo garantir.
O André tinha voltado à cidade e tinha-lhe voltado também a confiança e o sorriso fácil e cativante de outrora.
Mas ao observar melhor os seus olhos, como espelhos de alma que são, vi sem surpresa que a sua inocência e esperança tinham desaparecido.

As agruras da vida modificam as pessoas, e André não era excepção.

Mas gostei que ele tivesse voltado! Faltava era saber a razão do seu regresso.....
(continua)