sexta-feira, 24 de março de 2017

EU SEI - IVO Capítulo I (7 de 8)


A resposta não podia ser mais directa: “Pois, mas eu agora já não confio em ti!
Bem-feita para mim, pois nunca lhe tinha falado da Sónia, com medo de me descaír da nossa situação de coabitação deveras sui generis.
Sabem, foi nesse preciso momento que deixei de considerar a Andreia uma mulher ultra mega fantástica!
Estando os dois a trabalhar na mesma empresa, nesses dias ela evitou-me, olhando para o lado quando nos cruzavamos nos corredores.
E rapidamente comecei a sentir que os meus colegas só falavam comigo em circunstâncias essencialmente laborais, não pessoais.
E eu sei a razão! É que a Andreia tem muitas pessoas que gostam dela na empresa, pois ela muito dada, simpática, prestável, apaixonada pela vida. E eu não sou nada disso.
Sisudo e fechado no ambiente laboral, eu sou a sua antítese.
Soube depois que ela tinha espalhado que eu a andava a enganar com a minha ex-namorada, que nós ainda vivíamos juntos, e que eu era apenas um mero “caso”, talvez até com o consentimento da Sónia.
Ao ouvir esta história da boca de um colega, pensei “Ridículo”, mas confesso que se não fosse o protagonista, diria que era perfeitamente plausível.
Então, pondo de parte o orgulho ferido, fui ter com a Andreia num final de dia, à sala dela. Ao ver-me, ela levantou a mão e fez sinal para me afastar, sem se dignar olhar para mim.
À frente dela, vendo essa reacção, não vi mais nenhuma forma de comunicar do que lhe enviar uma mensagem pelo telemóvel: “Vamos os dois ter com a minha ex, e podes ver pelos teus próprios olhos que não temos nada um com o outro
Sabia dos riscos. A Andreia não ia aceitar, ficaria ainda mais ofendida e eu iria perdê-la para todo o sempre. E perder dois amores num espaço de tempo tão curto parecia-me demais.
Vi que ela estava a ler a mensagem e não lhe vi nenhuma reação....

Estava eu então a preparar para ir me embora quando a Andreia levanta a cabeça e diz num tom rápido como se não estivesse a ligar nada ao assunto “E então quando queres combinar?

Nessa altura eu já estava morto de arrependimento por ter feito tal proposta.
Pode ser para a semana?” atirei, com um sorriso muito mas muito amarelo. Sinceramente não consegui que a minha expressão saísse melhor.
E saí porta fora, pois precisava de apanhar ar rapidamente....
É que não me sentia nada confortável com esta situação. E o pior é sabia que elas ias começar a falar! E como....

(continua)