segunda-feira, 24 de abril de 2017

EU SEI - LÚCIA Capítulo III (6 de 6)


Ele repetiu a pergunta, desta vez mais veementemente: “Porquê?
Agitei os braços, sem abrir a boca, como a dizer-lhe “Não sei!!!
Nesse instante ele deixa-se cair, como se as forças o tivessem abandonado por completo, enquanto que as lágrimas lhe caiam soltas.

E eu confesso, chorava ainda mais que ele. E fui buscá-lo. Levantei-o e abraçamo-nos.
No meio do abraço e das lágrimas, senti a tentar-me beijar. E eu senti-me a ceder....

Nem sei mesmo se os nossos lábios se tocaram. Não sei mesmo.
Não sei quanto tempo estivemos ali, assim, à minha porta, agarrados um ao outro...
Não sei quanto tempo ele esteve ali, no patamar, a ver-nos, ali, assim….
Então o Paulo pigarreou, e a magia foi-se….. e sejam muito bem vindos à realidade….
O que se sucedeu a seguir foi digno do mais cruel dos momentos, pois bastou André ter visto as chaves na mão do Paulo para perceber tudo, e como se estivesse a tocar a própria morte, repeliu-me, num gesto brusco e bruto.
Os seus olhos eram de um louco. Sentiu-se enganado por mim. Pela segunda vez.
Atordoado, e sem dizer uma única palavra, desceu atabalhoadamente as escadas e desapareceu. Desapareceu para sempre.
O Paulo olhou para os meus olhos vermelhos e beijou-me carinhosamente o rosto a saber a sal.
Eu olhei para ele para saber dos seus sentimentos. E ao vê-lo sorrir de uma forma diferente, tomei coragem. Tinha de lhe dizer logo de uma vez.
E ao seu ouvido….. segredei-lhe o mais baixo que me foi possível, talvez para ele não ouvir à primeira.
Paulo. Eu….. eu estou grávida….
Ele sorriu ainda mais e mostrou-me um saco de papel da farmácia. E segredando-me também, disse:
- Eu sei……
fim do capítulo III

 (continua)