quarta-feira, 19 de abril de 2017

EU SEI - LÚCIA Capítulo III (4 de 6)


Mas depressa me passou esse medo, pois o que veio depois superou em tudo o que já tínhamos tido. Eramos o que se costuma dizer “Unha e Carne”.
Ou Almas Gémeas.
Tudo estava bem. Bem demais. Até me assustava estar tão feliz. Na realidade nunca tinha sido feliz antes. Nem sabia como era.
Até que....um belo dia o Paulo apareceu-me pálido e a voz dele era cava…. “Estive com o André. E quer saber de ti. E não lhe disse nada acerca de nós!”
Pronto. Já está. E agora? Que faço? Só pode ser Deus a pôr-me à prova!” pensei, aflita. E pelo olhar, o Paulo estava a pensar o mesmo.
O abraço que se seguiu foi significativo. Muito significativo. Tinham chegado os momentos da grande provação.
Soube entretanto que a vizinhança estava a colaborar com o silêncio. A sua solidariedade foi completamente inexcedível. Fiquei grata.
Sabíamos que a nossa amiga Sónia tinha começado a sair com o André. E antes de lhe agradecermos por isso, ela frisou bem a situação:

Ó meninos, o André é meu amigo, e não ando a sair com ele para vos fazer um favor. Notem bem isso!
E acrescentou “E Paulo, tens de ser homenzinho e falar com ele. Ele merece saber por ti o que está a acontecer”.
Paulo sabia que essa conversa tinha de ser feita. Mas estava a adiá-la. A coragem não era mesmo o seu forte.
André deixou de ser visto durante uns tempos, mas íamos sabendo onde ele andava. Ele tinha arranjado um trabalho com horários muito variados.
Assim, quando não estava a trabalhar estava com a Sónia, e nos fins-de-semana ia para Mirandela. E como “Longe da vista longe do coração”, deixámos aos poucos de pensar no André….
Mas o Universo teimava em não me dar descanso algum!
Assim, numa bela manhã soube que o José tinha regressado da sua aventura em Angola tal como eu esperava, ou seja, com uma mão à frente outra atrás.

E veio a dizer mal de tudo e de todos, que não lhe pagavam, que o tratavam mal, que estava sempre muito calor, que chovia muito, que comia mal, que era tudo muito caro…..

Senti então que o "Circo estava a pegar fogo", com o André e o José a residirem no mesmo bairro. Isto ainda vai acabar mal....
A única diferença é que agora não estava com os dois. Aliás, com nenhum deles!
(continua)