quarta-feira, 5 de abril de 2017

EU SEI - ANDRÉ Capítulo II (4 de 5)


Afinal lembrava-se da tal Lúcia (a que não era a "sua") e de uma Sónia, com quem tinha trocado umas poucas palavras no primeiro dia...

....e foi num ápice que se tornarem amigos quase inseparáveis.
André necessitava mais que tudo de desabafar, e a Sónia ouviu vezes sem conta a história da Lúcia, da canalhice do José, da sua fuga para Mirandela....
E a Sónia era alguém que sabia ouvir sem julgar, sem avaliar. E isso bastava-lhe.
André aos poucos deixou de tentar saber da Lúcia. Da "sua" Lúcia. Simplesmente já não queria saber dela. Já não lhe ocupava o espírito.

Depois de várias "sessões", o tema Lúcia ficou vazio de qualquer significado e sentimento.
Então foi a vez da Sónia contar a sua história, da sua separação com o Ivo, mas contou-lhe toda a verdade, que continuavam a partilhar casa, e que continuavam a ser amigos. E apenas amigos....

Sinceramente não acredito que o André tenha ouvido a parte do Ivo com atenção, tão embevecido estava com as palavras dela, com o seu modo de falar, com os seus maneirismos.....
Todas as noites da semana, ao telefone, André contava à mãe o seu dia, e todos os dias ele falava da Sónia. “Filho, mas quem é essa Sónia? Eu conheço-a?” ao que ele pacientemente respondia “Não, mãe, ainda não conheces. É uma grande amiga minha daqui…
As conversas mãe e filho terminavam sempre com os conselhos maternais de "agasalha-te bem que está fresco" e "vê se comes melhor", pois “estou a sentir-te mais magro”. André delirava com esta parte do ritual. Mães….
O tempo foi pachorramente passando e a sua relação de amizade mantinha-o nos píncaros. Os finais de tarde eram o seu ponto alto, onde se libertava e desinibia....
Mas para grande tristeza (dele) separavam-se quase todos os fins-de-semana, quando abalava para Mirandela.
Na ideia dele já quase quase namoravam....

...na perspectiva dela eram apenas grandes e inseparáveis amigos.
A Sónia sabia dos anseios dele e quis separar bem os sentimentos, tanto mais que tinha por resolver a questão Ivo. Mas que tardava em encontrar solução.
André por sua vez não tocava no assunto. Sentia-se muito bem com a Sónia e nunca mais tinha pensado na Lúcia, pelo menos com amor. Tinha encontrado outro, muito mais intenso.
André nunca tinha ido a casa da Sónia e por isso foi com imensa felicidade que ela o convidou a jantar em casa dela, com o tal Ivo (agora amigo) e com a namorada dele.
Jantar de casais”, pulou André. “Vou jantar a casa dela com outro casal. É o delírio!!”, exultava, dançando numa valsa imaginária.

(continua)