sexta-feira, 21 de abril de 2017

EU SEI - LÚCIA Capítulo III (5 de 6)


Mesmo não estando com ele, o José entrou logo “a matar”, pedindo-me logo dinheiro emprestado e guarida!
Mas era com outra Lúcia que ele lidava, e fiz-lhe um desenho. Completo. Que incluiu passado, presente e futuro. E uma personagem nova e muito importante.
Ao ver a cara dele de espanto, eu fiz uma cara alegre. E fiquei assim. Mas ele é que não ficou assim, vim rapidamente a saber.
Anteriormente tratei-o como se ele fosse estupido e afinal ele é que me fez de parva. Eu não aprendo mesmo, pois voltei a cometer o mesmo erro. E com a mesma pessoa.
Ele saiu de minha casa furioso por eu não ter esperado por ele e ter arranjado logo outro (!!!).

É que segundo ele, tinha ido para Angola para arranjar dinheiro para o nosso futuro. E eu tinha agora estragado tudo. É preciso ter uma distinta e descomunal lata!

Frustrado, e depois de me chamar tudo menos "Santa" resolveu vingar-se. E as pessoas daquele calibre normalmente gostam de o fazer no sitio onde dói mais aos outros.
Tendo já sabido que o André tinha voltado, tratou de conseguir o seu número, e rapidamente alguém odeu.
E desta forma vil o André soube onde eu morava. E conseguiu ver-me nesse próprio dia. E eu sem saber de nada.
André, como uma fera enjaulada, andava de um lado para o outro, impaciente, no passeio perto da minha casa. Esperando.
Esperando talvez eu aparecer na varanda, que saísse, que o número de transeuntes diminuísse…. Esperando.
E eu longe de o imaginar ali, esperando.
Mas houve quem o visse. E quem ligasse ao Paulo. E alarmado, veio logo para casa. Mas ainda estava longe....

E o André avançou antes da chegada do Paulo. 

E eu sem saber de nada. Estava tão longe da trama que se urdia nas minhas costas....
Ouvi a campainha. Julgando que fosse o José com mais treta, abri a porta a dizer “O que queres tu outra vez?” quando o vi, a ele, ao André.
Tremi toda e vi-o a tremer. Olhei-lhe bem fundo nos olhos para saber que André estava ali diante de mim. E não consegui saber qual deles era. E fiquei sem saber o que fazer ou o que dizer.
Calado, a olhar para mim, estava o homem que eu tanto tinha enganado, cobardemente, com o seu melhor amigo.
Ali, à minha frente, estava o homem com o qual tinha sonhado durante tanto tempo.
Com uma voz rouca, ele perguntou “Porquê?
Mas nem uma palavra saiu da minha boca. Estava embargada demais para dizer fosse o que fosse.

(continua)