terça-feira, 11 de abril de 2017

EU SEI - LÚCIA Capítulo III (1 de 6)


Alterei os meus hábitos, e fi-lo de tal forma que deixei de ir tanto ao minimercado como ao café.
Venho do trabalho directa para casa e de casa vou directa para o trabalho. Aqui no bairro não me demoro para nada, nem para cumprimentar as minhas vizinhas, coitadas.
Mas elas sabem. Elas sabem porque faço isto. E compreendem. E fariam o mesmo.
Desde que o Paulo me disse que tinha encontrado o André aqui no bairro, não houve um único dia em que não tivesse receio de o encontrar.
É que sinceramente não sei o que pode suceder se voltar a vê-lo!
Cometi um erro grave na minha vida. Sei que era muito jovem e inconsciente acerca de sentimentos. Sentia-me poderosa por ter dois amantes. Era a rainha da cocada!
No fundo fui bastante estúpida. Mas nessa altura não sabia disso. Não imaginava sequer.
Quando vi o André ir embora para Mirandela com a mãe, senti-me sozinha, pois foi com ele a parte boa de mim. Fiquei com o José, mas não era a mesma coisa.
O José é aquele tipo de homem que se tem para exibir às conhecidas, em festas. Ele foi feito para isso. Mas apenas para isso.
As minhas amigas invejavam-lhe o corpo, comparando-o com o dos namorados, mas só. É que não lhe invejam mais nada. E diziam-no com as letras todas “Oh Lúcia, então ainda andas com esse tonto?
É que de cabeça, senhores, o José era mesmo muito fraquito. Era uma “Maria vai com as outras”. Se algum amigo aparecia e o desafiava fosse para o que fosse, ele ia. E sem me dar cavaco. Inconsciente.
A nossa relação nunca foi firme. José era meu namorado mas sem termos ideia do que iriamos fazer. Passávamos os dias, as semanas, os meses juntos, mas mais nada. Era pouco para mim. Mas muito para ele.
Não tardou a ter grandes saudades do André, e sem o José saber, comprei bilhete de camioneta para Mirandela, mas a minha mãe soube e rasgou-o à minha frente, dizendo:
Se ele gostar mesmo de ti, virá à tua procura. É que filha minha não anda atrás de homem nenhum!
(continua)