sexta-feira, 14 de abril de 2017

EU SEI - LÚCIA Capítulo III (2 de 6)


José abalou para Angola com um amigo, que tinha conhecido numa noite de borga. Pelo que ele me descreveu, era um novo “Eldorado”, mesmo para pessoas que nada sabiam fazer, como ele.
E eu fiquei contente por finalmente ter ficado sozinha! A sensação que tinha era de ter encerrado um capítulo importante na minha vida.
Quando ele se foi embora, desejei-lhe as melhores felicidades, e fiz-lhe entender que não o queria voltar a ver. Não valia a pena. Acho que ele não entendeu. Até ele sorrir.
Aí percebi. Quem não tinha entendido a verdadeira situação era eu. Não tinha percebido que eu tinha sido apenas um passatempo dele. Tinha andado a perder tempo.
Senti-me tão burra que apeteceu bofetear a mim mesma.
Confesso que chorei de raiva durante imenso tempo. Raiva de mim mesmo. Raiva de ter considerado José um burrito e quem ter feito de asna ter sido eu.
E aí voltei a pensar no André. E pedi a Deus que ele voltasse à minha vida. Voltasse para mim.
Mas Deus tinha outros planos…..
Desde sempre o conheci. Morávamos na mesma rua. Brincámos juntos. E namorámos, mas não um com o outro. Isso nunca. Ele era como um mano para mim.
Lembro-me perfeitamente do Paulo me dizer um dia, ainda puto “Hás-de pedir para namorar comigo”, enquanto os amigos se riam muito, tanto pela sua audácia como de mim, por ter ficado tão corada como um pimento. Vermelho.
O Paulo teve namoradas muito tarde. Azar o dele, pois eu tive namorados muito cedo. Surgiu o André, o primeiro dos sérios. E, como sabem, o José, quase quase ao mesmo tempo….
Mesmo quando estava no olho do furacão, em que o mundo rodava sobre si próprio e a minha cabeça rodava ainda mais, reparava que as relações do Paulo eram sempre superficiais e ligeiras, terminando num breve suspiro.
Cheguei a falar com ele, como sua mana, sobre o amor em geral e as aventuras e desventuras. Mas as suas evasivas sobre o assunto permaneceram na minha cabeça por muito tempo. Mas nem desconfiei.
Julguei que a sua recusa em falar comigo sobre o amor se devia ao facto de ele ser grande amigo do André, e de ter visto como ele sofreu por minha causa….mas não era por isso….
O Paulo e eu tornámo-nos inseparáveis, mesmo tendo eu o José como namorado e ele, de vez em quando, uma namoradita.

(continua)