segunda-feira, 3 de abril de 2017

EU SEI - ANDRÉ Capítulo II (3 de 5)


Vocês sabem, há coisas na vida que nos parecem estranhas, mas quando resultam, julgamos logo que é o Destino, senão o próprio Universo que nos sorri. E nos faz sorrir!
Mas o que é que queres saber? Pode ser que eu saiba. Diz lá”, insistiu o tal Tomás.
Sem se incomodar com a súbita familiaridade, e sem nada a perder e tudo a ganhar, André abriu o jogo “Eu estou à procura uma pessoa chamada Lúcia….
Lúcia? Uma loura com olhos verdes grandes?” indagou Tomás.

Mas quem ficou com os olhos grandes (de espanto) foi André, e titubeante respondeu “Sim, essa mesmo….
E Tomás riu alto. “É a minha vizinha do lado. Vem cá que eu faço o vosso reencontro, meu. Até já!” E desligou.

André ficou catatónico, com o telemóvel preso à mão por uma eternidade.
Encontrei-a. Eu encontrei-a. E agora, que é que faço? Vou ter com ela? Que lhe digo? Faço-me de zangado ou de apaixonado? E se ela estiver com alguém. E se ela estiver com o José? Mato os dois? Ou perdoo-lhes?
Com a cabeça a mil, André correu em direcção à casa da D. Alzira, sem saber na realidade nada do que ia fazer ou dizer. Ia vê-la e pronto!
Olhou para cima, para a varanda da casa da D. Alzira e viu um rapaz alto, que ao vê-lo tão atento, acenou e gritou “André? Bora cá cima. Ela está em casa”. E meteu-se para dentro.
André ficou gelado, e mais gelado ficou quando sentiu movimento nas cortinas da casa ao lado da D. Alzira. Pudera, com aquela gritaria toda a gente da rua veio à janela!
Adentrou a porta do prédio e olhou para cima, pelo caracol das escadas. Lá em cima estava a cabeça do Tomás, a espreitar, com um sorriso largo na cara.
Meu, parece que estás com medo. A Lúcia não costuma morder. Acho” e riu alto, batendo na porta da sua vizinha, que claro, já estava a ver quem estava no patamar pelo olho mágico.
Olá Lúcia. Acho que vocês se conhecem”. Uma mulher vistosa abriu a porta.....

Raios! Não. Não era esta Lúcia!

André apeteceu esganar o Tomás ali mesmo pela frustração sentida, mas não ia fazer nada disso. Controlou-se.
Ao verem-no tão imensamente frustrado, os dois vizinhos decidiram levá-lo a tomar um café na leitaria do bairro.
Este era o ponto de encontro daquela gente boa, e foram chegando cada vez mais habitantes da rua.

André sentiu-se bem ao ver tanta juventude no seu antigo bairro, no centro histórico da cidade. Lembrou-se de outros tempos. E mais uma vez, de Lúcia.
No fim do dia estava rodeado de pessoas que nunca tinha visto na vida, a todos tinha sido apresentado e de nenhum se lembrava do respectivo nome. Mas apesar das emoções do dia, sentia-se bem.

(continua)