sexta-feira, 2 de março de 2018

Elsa (7) Final


Vejo a Vida a traçar o seu rumo sem se importar se a quero seguir ou não. Tenho vontade de a chamar, mas sei que ela nem me ouviria. E mesmo que ela parasse para me ouvir, realmente eu não lhe teria nada para dizer....

Julgava eu que estava bem, parado na minha Vida, a ganhar pó e mofo, admirado (e também assustado) a ver os meus amigos e familiares a acasalarem e a reproduzirem-se. Ou seja, a seguirem as suas vidas.

Sentia-me tão bem no metro, a ser levado para o meu Destino, sem tomar decisões nenhumas, a entrar e a sair das carruagens sem ser notado. Era só mais um corpo na imensa multidão.

Mas na realidade, eu estava era parado na estação do metro da Vida, a ver os outros a entrarem e a saírem das carruagens e a seguirem os seus caminhos. E eu limitava-me a olhar para a vida dos outros.

Não sabia que o Destino tinha planos para mim. Inversamente, eu não tinha planos nenhuns para o Destino. Até entrar no metro e deparar-me com a Elsa.

Será que foste tu, Destino, que a puseste na minha vida? Será que foste tu que decidiste por mim que eu não apanharia o autocarro nesse dia? Só assim não a teria conhecido, e não teria saído da minha querida rotina!

Sei perfeitamente que o meu percurso de vida não me levaria a lado nenhum. Uns esparsos amigos e familiares, e sem ninguém a quem deixar o pouco que poderia amealhar no resto da vida.

Sei bem que mais ninguém iria entrar na minha vida, pois estava a certificar-me que todas as portas que levariam ao meu coração estariam muito bem fechadas.

E sei que daqui para a frente iria chorar todas as noites do resto da minha vida por nenhuma Elsa ter entrado na minha vida. E chorar mais ainda por todas as oportunidades perdidas para ser feliz!

Mas aí seria tarde. Demasiado tarde.

Parece que já foi há anos que conheci a Elsa…. Parece que foi há muitos anos que deparei com ela no Metro. E realmente foi….

Acordo. Uma Elsa em miniatura estava sentada ao meu lado, olhando-me fixamente. Pergunto-lhe “Já são horas?” Ao que a Elsa em miniatura responde, com cara de fingida:


Avô, saíste-me cá um dorminhoco! Já vou chegar atrasada aos Escuteiros!

Obrigado Destino. Obrigado Vida. E obrigado Elsa. Quero que saibam que vos estou eternamente grato.

 (FIM)