terça-feira, 24 de julho de 2018

Cansado

Sinto-me cansado….
Cansado de tudo e de todos, mas também de rir, de chorar e até de (não) gritar.
Cansado do calor, do frio, do vento, da chuva (ou da falta dela) mas também das filas, sejam elas de trânsito ou de qualquer outra coisa.
Cansado de sofrer, de fazer sofrer, de perdoar e de (muitas vezes não) ser perdoado. Ou de nem sequer ser desculpado....
Cansado de quem tudo promete e que nada faz. Mas que estúpida e estranhamente, persiste em continuar a prometer. E de nada fazer.
Cansado de egoísmos e de egoístas, de prestigiadores, de fala-baratos e de falinhas mansas.
Cansado principalmente de mim próprio, especialmente por tanto aturar sem razão nem proveito.
E por isso tudo, sinto-me cansado e a precisar de férias. Especialmente de mim mesmo.
Portanto vou a banhos! Pode ser que ainda volte… 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Felicidade, Amor & Paixão


Tenho-me apercebido que algumas palavras, por sinal muito importantes, possuem significados completamente diferentes, consoante a interpretação dada pelas pessoas.
Falo da FELICIDADE, do AMOR e da PAIXÃO.
Para alguns, Felicidade é algo muito raro, e que quando surge, é apenas por breves momentos, sendo um sentimento supremo e superlativo.
Já para outras pessoas (e noto isso especialmente nas mais novas), Felicidade é algo corriqueiro, normal, exigível que seja permanente. Se “estão” com a pessoa de quem gostam, são “felizes” (mesmo que a relação deles seja uma verdadeira trampa).
Para uns, Amor e Paixão são sentimentos / emoções completamente distintos. Amor é um sentimento adulto, maduro, sereno e quase sempre duradouro. Em contraponto, a Paixão uma emoção fortíssima, obsessiva e ciumenta, originando uma grande atracção sexual.
Para essas pessoas, a Paixão aparece poucas vezes na vida, e dura até três meses (um apaixonado não consegue aguentar mais, dado o estado de semi loucura em que se encontra), pois é como uma chama intensa que tudo consome com rapidez. E pode (ou não) resultar em Amor.
Já para outros, Amor e Paixão significa exactamente o mesmo. Se gostam de alguém (ou amam), estão “apaixonados” (mesmo que essa emoção seja tão "intensa" como comer um cheeseburguer sem sabor).
Assim, quando deixam os seus parceiros, alegam que já “não estão apaixonados”, e por isso “deixaram de estar felizes”. E cada um segue a sua vida, sem dramas. Mas também não deverá haver grande mal ao mundo, pois alegam que lhes é bastante fácil e frequente “apaixonarem-se”.
Como tudo na vida, os conceitos evoluem, os significados alteram-se e até as palavras mudam. Já os verdadeiros sentimentos nunca mudam, sejam eles muito ou pouco intensos ou duradouros.
Assim sendo, questiono-me é se alguma saberei, verdadeiramente, o que é a Felicidade, o Amor e a Paixão….

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A Angústia

Como ondas nas rochas, sinto a Angústia a bater forte em mim. E perante tal magnitude, limito-me a resistir o melhor que posso.
Estou sentado numa rocha, em frente ao Mar a perder de vista, entretendo-se este a salpicar-me com as suas gotículas salgadas.
Sinto que estou bem onde estou, e por isso, bem comigo mesmo. Não conheço melhor sensação.
No processo de viver o momento, tento remeter para o esquecimento o que já sofri, e sem querer antecipar o que ainda me falta sofrer. Bendita consciência e memória, que a tanto me poupas.
Cai a noite e olho sem interesse para as estrelas que começam a aparecer no firmamento. Sei que possuo um universo bem maior, dentro da minha própria consciência.
Abandono a rocha segura e o mar travesso, frustrado por não ter conseguido que uma única gotícula de Angústia tenha saído dentro de mim.
Foi sem surpresa que a vejo, sentada no areal. Ela esperava por mim, com um largo sorriso nos seus olhos.

Respondo com outro sorriso, e agarrando-lhe a mão, aceito-a como companheira da minha viagem. Juntos, unidos, até ao fim.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

DARK SOULS 8 Abel II (FINAL)

Então esta gaja corre escada acima? Mas onde é que ela vai? Chiça, não posso gritar. Tenho é de ir atrás dela.
E lá vou eu atrás daquela lunática, escada acima. "Que noite estúpida estou a ter. Devia era ter telefonado para a esquadra e pedir reforços. Isto já não é para mim. Estou a ficar velho para estas porcarias!"
Cheguei ao patamar do 4º andar quase ao mesmo tempo que a doida da mulher, mas sinto que com a correria fizemos demasiado barulho para aquela hora da noite. E continuo sem saber que perigo o namorado dela poderá estar a correr.
Ela tira um molho de chaves da mala e coloca uma chave na fechadura, mas no nosso movimento as luzes tinham-se acendido automaticamente. Parámos ambos, e a olhar um para o outro, esperámos que as luzes se apagassem.
No escuro, a mulher rodou a chave na fechadura, e começou a abrir a porta devagar, muito devagar.
Pode detrás dela coloco o cano da minha pistola na abertura da porta, como se ela tivesse olhinhos que me pudessem fazer ver alguma coisa.
O que sucedeu a seguir foi digno de um filme!!!!
De lá de dentro alguém abre a porta de repente e atrás dela surge um homem com um facalhão, que, com a força de tentar espetar a faca em alguém, cai de cara no chão. Julgava eu.
Quando as luzes do patamar se acendem automaticamente, vejo uma outra mulher que, também de dentro da casa, tinha acabado de esfaquear as costas do homem. Por isso é que ele tinha caído daquela maneira.
E ao ver aquela cena, a namorada dele grita alto “Joaquim!
Sem pensar, disparo, e a mulher, ex dele (soube depois), caiu, redonda no chão. Mas com um sorriso na cara.
"Colega, atingi uma mulher com um tiro. Sim. Ela tinha acabado de espetar uma faca nas costas de um homem. E eu disparei. Sim, ela está morta. Na realidade, estão ambos mortos."
The End

quinta-feira, 7 de junho de 2018

DARK SOULS 7 Joaquim III


Está aqui alguém em minha casa! E só pode ter más intenções!!!
No mais profundo silêncio da noite, ouvia claramente alguém, algures na sala, a respirar, chorar e até balbuciar. Eu estava em pânico, ao ponto de não me conseguir sequer mover.
Será que fiz tão mal a alguém? Por dinheiro não deve ser, pois não tenho nenhum.” Pensava, enquanto tentava libertar, inutilmente, o meu corpo da rigidez.
Através da atenção à minha respiração tento acalmar-me. Respiração profunda uma, duas vezes. Outra vez.
O exercício de respiração tirou-me muita da ansiedade, e comecei a raciocinar um pouco melhor.
De repente, ouço barulhos na escada do prédio. Reconheço claramente os sons de pessoas a correr escada acima. E a aproximarem-se.
Os sons dos passos param abruptamente no meu andar, e a minha ansiedade regressou em força, fazendo-me até esquecer a ameaçadora sombra que se tinha introduzido dentro de minha casa....
De repente, ouço uma chave a entrar na fechadura da minha casa. Estão a abrir a porta de minha casa!!! Mas hoje todos tiraram a noite para me fazerem mal ou quê? Mas isto não fica assim! É que não fica mesmo!
Em fúria, vou para a cozinha e agarro no maior facão que tenho e, aproveitando o facto de estar descalço, não faço barulho nenhum ao aproximar-me da porta da rua.
A porta abre-se muito devagar, e na sua abertura espreita o cano de uma arma….
Então vieram cá mesmo para me matar! Mas eu já vos digo, meus cabrões!
Num acto repentino de insanidade, abro de repente a porta e espeto o facão! E nesse preciso instante ouço alguém gritar o meu nome.....
JOAQUIM!!!
E a arma dispara, num violento estrondo!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

DARK SOULS 6 Rita II

Com a chave que o Joaquim me tinha dado, abro a porta do prédio, com o guarda Abel, já de arma na mão, a seguir-me de perto.
Tinha-lhe explicado que o meu namorado estava em perigo, e apenas lhe omiti que tinha obtido essa “informação” através de um sonho. Acho que se tivesse dito isso, decerto seria eu a acompanhá-lo, à esquadra mais próxima….
Subimos sem ruído os degraus até ao quarto andar, não recorrendo ao elevador, pois faria muito barulho.
O guarda Abel ia à frente, de pistola em punho e com o cano virado para cima, como nos filmes. Aliás, ele estava a parecer um bocado teatral. Mas como não tinha melhor, este teria de servir.
Eu ia logo atrás dele, empurrando-o de vez em quando, pois ele, em vez de subir os degraus de seguida, a cada esquina parava e olhava.
Vá, ande rápido!”, dizia-lhe eu, empurrando-lhe as costas e incitando-o para ir em frente. “O Joaquim está em perigo de morte!", sussurrava eu, com os nervos.
De repente, o guarda Abel levanta a mão em sinal de paragem, e virando-se para trás, pergunta: “Mas afinal o que é que vamos encontrar lá em cima?
Olho para ele com cara de poucos amigos e sem paciência para parvoíces, digo-lhe “Não sei. Lá em cima veremos. E agora ande lá depressa antes que se dê uma tragédia.
Obviamente a resposta não agradou ao guarda Abel que, com cara de incrédulo fez sinal para que descêssemos as escadas.
Contrariada, acedi e desci alguns degraus. Reparei que o guarda Abel tinha colocado a arma no coldre e se tinha colocado ao meu lado.
Parecia que o meu acto heróico se estava a desvanecer, e que tinha de contar a verdade ao polícia.
E para começar, o melhor era ligar para o Joaquim para saber se ele estava ou não em perigo, ou então se estava a dormir. Ou a curtir a noite.
Num repente, viro-me e subo as escadas rapidamente. ”PARE!” disse ele, em surdina. Mas eu não parei…..

terça-feira, 29 de maio de 2018

DARK SOULS 5 Marta I

Aqui estou eu, sentada no escuro, a meio da noite, com uma faca afiada na mão, pronta para a usar!
Sinto que nasci para o que vou fazer. E vou fazê-lo. Sem remorsos nem hesitações.
Pensamentos destes enchem-me a cabeça e incitam-me para fazer algo que me repugna. Sinto vontade de vomitar só de pensar nisso.
Encolho-me mais um bocadito, mas nesse movimento sinto que a mão direita aperta com mais força o cabo da faca, até os nós dos dedos ficarem translúcidos.
Tinha entrado em casa dele horas antes, com a firme decisão de o matar. Mas agora, a parte da minha alma frágil e delicada estava, aos poucos, a dominar.
"Eu fiquei completamente destroçada quando ele me disse que estava a gostar muito de outra mulher." Passei a odiá-lo e a amá-lo ao mesmo tempo. E esta divisão mantêm-se no meu coração, pois tenho uma faca na mão e lágrimas nos olhos.
Como sou tola. Não devia ter tomado esta decisão. No fundo não quero fazer nada disto.” Mas reparo que a minha mão se recusava a largar a faca.
Dedico a minha atenção à mão, e lentamente dou-lhe ordens para que largue a arma letal, mas ela não obedece. Fico assustada. “Estarei completamente louca???
A minha mão esquerda tenta separar a faca da outra mão, mas não consegue. Parecia que o cabo da faca era uma extensão da mão.
Larguei-me a chorar baixinho, e aos soluços. Afinal parte de mim quer mesmo fazer-lhe mal.
Senti que a parte da minha alma boa não tinha poder nenhum quando o mal tudo domina. E senti-me capaz de morrer.
E se????” Era um dois em um e acabavam-se os sofrimentos todos de uma vez. “E lixem-se os que cá ficam!
E fortalecida por este novo e perverso sentimento, fiquei estranhamento aliviada por, afinal, não ter largado a faca. “Sim, é isso mesmo! Vamos lá a isso!
E lentamente começo a colocar-me em posição, como uma pantera antes de atacar…..