Mostrar mensagens com a etiqueta Emoção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emoção. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Renascer

O Sol está a desaparecer tão rápido do firmamento que até julgo que este tem pressa em abandonar a cena. Será que ele tem medo do escuro? Da escuridão, só tenho medo da que existe na minha alma, confesso.
O barulho das ondas a quebrarem, pesadamente, na praia, torna-se cada vez menos presente, enquanto o ruído dos meus pensamentos me enche a cabeça, até não saber, sequer, se é noite ou dia, se chove ou se faz sol, ou se as gaivotas, afoitas, já estão em cima de mim, em busca de qualquer resto de comida.
Os pensamentos tomam-me definitivamente de assalto e eu quebro, como as ondas. Por momentos ainda tento resistir, voltar atrás, concentrar-me na idílica visão do pôr-do-sol, sonhar acordado, mas tal já não me é possível. Estou perdido nas minhas dúvidas.
Como é que isto tudo aconteceu? Como é que a minha vida ficou assim? Como é que não dei por isso? Porque é que ninguém me alertou? Como me deixei transformar naquilo que mais temia vir a ser? Porque é que as coisas boas acabam assim?
As perguntas sucedem-se a um ritmo tal que não me deixam raciocinar, responder, argumentar, defender-me. Sou acusado por mim mesmo num tribunal que não admite defesa nem recurso. E as penas são todas cruéis, sendo a mais leve o degredo.
Sei que choro por dentro mas não tenho a certeza se choro por fora. Mas dane-se se quem me esteja a ver e que não goste de ver um homem feito nesses propósitos. Eu só choro com razão, e por fortes sentimentos. É que se não sabem ficam a saber, que mesmo homens feitos têm sentimentos. E choram.
Por ela estou a chorar pela segunda vez. E em ambas, pela ideia de a perder. Mas como tudo mudou. Na primeira vez chorei porque a ia perder, por sua decisão. E hoje choro porque a vou perder, mas por minha única e exclusiva vontade.
Se o sentimento mudou foi para ficar ainda mais forte, mais robusto, mais interligado. Mas, infelizmente só isso não chega. É preciso mais do que sentimentos. E sei agora que esse mais não está ao alcance de todos, só de alguns. Talvez esses tenham apenas mais sorte. Ou apenas mais bom senso.
Quantos têm sentimentos um pelo outro e não estão juntos? Serão tantos como aqueles que estão juntos e não têm sentimentos um pelo outro? A vida é injusta para com o Amor, pois muitas vezes junta quem não se quer, e afasta quem se quer.
Lentamente afasto a bruma dos meus pensamentos, das decisões e indecisões, dos sentimentos, das emoções, das relações, das gaivotas, da luz e da escuridão das almas, das questões, dos íntimos tribunais, das suas e penas e dos degredos.
Regresso a mim, como num longo acordar, e abrindo os olhos vejo o sol a renascer. Tal como eu….

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Felicidade, Amor & Paixão


Tenho-me apercebido que algumas palavras, por sinal muito importantes, possuem significados completamente diferentes, consoante a interpretação dada pelas pessoas.
Falo da FELICIDADE, do AMOR e da PAIXÃO.
Para alguns, Felicidade é algo muito raro, e que quando surge, é apenas por breves momentos, sendo um sentimento supremo e superlativo.
Já para outras pessoas (e noto isso especialmente nas mais novas), Felicidade é algo corriqueiro, normal, exigível que seja permanente. Se “estão” com a pessoa de quem gostam, são “felizes” (mesmo que a relação deles seja uma verdadeira trampa).
Para uns, Amor e Paixão são sentimentos / emoções completamente distintos. Amor é um sentimento adulto, maduro, sereno e quase sempre duradouro. Em contraponto, a Paixão uma emoção fortíssima, obsessiva e ciumenta, originando uma grande atracção sexual.
Para essas pessoas, a Paixão aparece poucas vezes na vida, e dura até três meses (um apaixonado não consegue aguentar mais, dado o estado de semi loucura em que se encontra), pois é como uma chama intensa que tudo consome com rapidez. E pode (ou não) resultar em Amor.
Já para outros, Amor e Paixão significa exactamente o mesmo. Se gostam de alguém (ou amam), estão “apaixonados” (mesmo que essa emoção seja tão "intensa" como comer um cheeseburguer sem sabor).
Assim, quando deixam os seus parceiros, alegam que já “não estão apaixonados”, e por isso “deixaram de estar felizes”. E cada um segue a sua vida, sem dramas. Mas também não deverá haver grande mal ao mundo, pois alegam que lhes é bastante fácil e frequente “apaixonarem-se”.
Como tudo na vida, os conceitos evoluem, os significados alteram-se e até as palavras mudam. Já os verdadeiros sentimentos nunca mudam, sejam eles muito ou pouco intensos ou duradouros.
Assim sendo, questiono-me é se alguma saberei, verdadeiramente, o que é a Felicidade, o Amor e a Paixão….

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Zombies Urbanos


Estou na plataforma do metro e levanto a cabeça, calibrando os meus ouvidos.

Os únicos sons que consigo distinguir são os que se escapam de alguns headphones mais ou menos próximos.

Chega a composição e observo as pessoas, perfeitamente ritmadas nos seus movimentos, a adentrá-la.

Meneio a cabeça a pensar: Zombies não se imitariam melhor.

Entro na carruagem e não tiro do bolso o meu smartphone. Mas reparo que sou o único a não fazer esse movimento.

Olho à volta e reparo que a curvatura do pescoço é exactamente igual em todas as pessoas que vejo, como se estivessem a cumprir uma penitência em conjunto.

Tento fixar-lhes os olhos e o único brilho que vejo é o do reflexo do ecrã. Nada mais. Triste.

Sinto-me só rodeado de gente, que não me vê, não me ouve, não me sente. Sou apenas mais um.

Que desperdício de tempo que podia ser de emoções, de conversas, de olhares.

Tantos corpos emersos não nos seus próprios pensamentos mas nos dados móveis recebidos.

Decerto que nunca ninguém imaginou que pudesse haver tanta alienação global, tanto desligamento da realidade.

Nem me parecem fascinados pelo que vêm. Mais parecem hipnotizados. Apenas olham, sem emoção alguma…

Estaremos a ficar cada vez mais apáticos?

Apenas alguns desportos parecem ter ficado imunes a esta falta de emoção.

Pensem por exemplo na comoção em tempos idos na política nacional, especialmente em períodos eleitorais.

Agora a adesão é “tão grande” que mesmo os maiores partidos deixaram de realizar comícios.

Mas afinal o que comove as pessoas? O que as faz correr?

Não sei. Muito pouco. Ou talvez nada. 

Ao virtualizarmos as nossas emoções, certamente apenas restará a apatia.

Vou continuar a levantar a cabeça na esperança de encontrar alguém que como eu, não esteja a olhar para o ecrã do seu smartphone…


… nem que seja por ter ficado sem bateria J