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quinta-feira, 7 de junho de 2018

DARK SOULS 7 Joaquim III


Está aqui alguém em minha casa! E só pode ter más intenções!!!
No mais profundo silêncio da noite, ouvia claramente alguém, algures na sala, a respirar, chorar e até balbuciar. Eu estava em pânico, ao ponto de não me conseguir sequer mover.
Será que fiz tão mal a alguém? Por dinheiro não deve ser, pois não tenho nenhum.” Pensava, enquanto tentava libertar, inutilmente, o meu corpo da rigidez.
Através da atenção à minha respiração tento acalmar-me. Respiração profunda uma, duas vezes. Outra vez.
O exercício de respiração tirou-me muita da ansiedade, e comecei a raciocinar um pouco melhor.
De repente, ouço barulhos na escada do prédio. Reconheço claramente os sons de pessoas a correr escada acima. E a aproximarem-se.
Os sons dos passos param abruptamente no meu andar, e a minha ansiedade regressou em força, fazendo-me até esquecer a ameaçadora sombra que se tinha introduzido dentro de minha casa....
De repente, ouço uma chave a entrar na fechadura da minha casa. Estão a abrir a porta de minha casa!!! Mas hoje todos tiraram a noite para me fazerem mal ou quê? Mas isto não fica assim! É que não fica mesmo!
Em fúria, vou para a cozinha e agarro no maior facão que tenho e, aproveitando o facto de estar descalço, não faço barulho nenhum ao aproximar-me da porta da rua.
A porta abre-se muito devagar, e na sua abertura espreita o cano de uma arma….
Então vieram cá mesmo para me matar! Mas eu já vos digo, meus cabrões!
Num acto repentino de insanidade, abro de repente a porta e espeto o facão! E nesse preciso instante ouço alguém gritar o meu nome.....
JOAQUIM!!!
E a arma dispara, num violento estrondo!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Relações no Século XXI (1 de 2)

Se eu estivesse numa reunião estilo AA, levantava-me e diria “Boa noite, sou o Fernando e sou perito em relações falhadas”. E o grupo responderia “Boa noite Fernando”. E eu começaria a relatar a minha vida amorosa. E no fim, todos nós choraríamos.
Sim, sou um perito em relações falhadas. Posso mesmo dizer, sem qualquer ponta de orgulho, que sou um verdadeiro especialista mundial, com um curriculum recheado de experiências traumáticas.
Considero mesmo que já nasci com esse raro e precioso dom de escolher as piores mulheres para amar. Evidentemente que não as escolho por saber que são más ou vis. Muito antes pelo contrário, a meu ver são todas umas Santas!
A minha triste sina começou logo no jardim-de-infância, quando vi uma coleguita a sorrir para mim e instantaneamente ofereci-lhe o coração. Durante o tempo em que fomos inseparáveis sucedeu uma situação muito estranha.
As minhas chuchas, as minhas queridas Nuc, estavam a desaparecer a um ritmo alucinante, e eu não sabia como nem porquê. E os meus pais ameaçaram-me cortar o fornecimento desse produto de primeira necessidade.
Foi a partir desse dia que a Ansiedade me começou a dominar, e nunca mais me quis largar desde então. É a minha companheira inseparável, mais para o mal que para o bem, e que por vezes chama a sua irmã Desespero para, juntas, me azucrinarem a porca da vida!
Desabafava os desaparecimentos das chuchas à minha querida amiga Nuxa, que me ia dizendo que de certeza era o tal, ou a tal, ou mesmo a menina Rosa, a responsável da nossa sala, que mas andava a roubar. E eu sempre a acreditar nela.
Este estúpido que vos fala nunca desconfiou que era a minha querida Nuxa que as roubava, com total impunidade e descaramento, levando-as para o mercado negro existente nesse mesmo jardim-de-infância, que se chamava, ironicamente de “Chuchas e Companhia”!
Só muitos anos mais tarde é que a Nuxa me contou esse episódio, ainda por cima a rir. E aproveitou e acabou com a nossa relação porque a confrontei com umas supostas traições dela, relatadas pelo meu grande amigo Zé.
Claro que esse Zé apenas me confidenciou a traição da Nuxa com um tipo qualquer, porque ela o tinha trocado por outro, no fundo traindo a nós dois. Mesmo assim continuei a admirá-la por ela ser uma mulher muito dada. Mesmo muito dada.
Entre a Nuxa infantil e a Nuxa mulher sabida aconteceu-me um sem-fim de casos, paixões e paixonetas, de flirts e namoraditas, fossem grandes ou pequenas, branquinhas ou escurinhas, louras, morenas ou ruivas. Houve de tudo e se mais houvesse. Todas diferentes. Mas todas iguais.
A todas e a cada uma tratava como se fosse uma princesa, uma rainha, uma deusa que me punha a adorar. A todas coloquei no pedestal e a todas chamava “Amor”. E sentia-me feliz com todas e com cada uma.
E com todas e com cada uma sentia-me o homem mais feliz do mundo, atrevo-me a dizer. Dizia sempre para comigo “Esta é que é. Ainda bem que me livrei daquela outra”. Claro que não me tinha livrado de ninguém, pois tinha sido, mais uma vez, escorraçado!
Na verdade, todas elas me tinham dado com os pés, e a maioria com requintes de malvadez. Mas algumas tinham-me respeitado, pelo menos minimamente, talvez mais com pena do triste que sou, pois nem valia a pena fazer mais, não com medo de qualquer minha reacção brusca ou bruta.
Mas não vos quero maçar com as minhas muitas histórias, pois decerto que ultrapassaria as “Mil e uma noites”. Assim, só quero mesmo contar-vos a minha história com a Sandra.
Conheci a Sandra num bar na Av. 24 de Julho, em Lisboa. Bem, conhecer é força de expressão, pois eu limitei-me a estar lá, acompanhado por um amigo de longa data, o P, que com genes de engatatão, “sacou” a amiga da Sandra num ápice. E a esta veio de "brinde"....
(continua)

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Fernanda (1 de 2)


Fernanda caminhava apressada rua abaixo, pisando ao de leve o quente alcatrão.

Ao chegar à porta do prédio a ansiedade fez com as chaves saltassem da sua mão, mas apanhou-as ainda no ar.

Ela ligou-lhe ainda antes de fazer rodar a chave da porta de entrada, com o telemóvel firmemente prensado entre o ombro e a orelha.

Adentrou a porta do prédio e zarpou escada acima, nem reparando que o elevador estava estacionado no rés-do-chão.

Abriu a porta de casa e deparou com o seu fiel gato a fazer de cão, à sua espera na entrada.

Mas onde estaria o outro gato, o “seu outro gato”, também ele de olhos verdes? Estranhou.

Ligou-lhe de novo. Mais uma vez foi para a caixa de mensagens. Estranhou. Sentou-se no sofá e abanou-se. Realmente estava muito calor.

Descalçou-se e com visível satisfação e aninhou-se no sofá, ao mesmo tempo que o ronronadeiro passou à sua frente.

Pensou nos gatos da sua vida. Realmente tinham os dois muito em comum.

Amarelinho foi o seu primeiro gato. E com pêlo por todo o lado.

Ricardo foi o seu segundo gato. Mas com muito menos pêlo.

Amarelinho era um gato comum europeu. Popularmente chamado de gato sem raça.

Ricardo era do tipo comum europeu. E muito popular junto de determinado público.

E a Fernanda encontrou-os a ambos na rua, em períodos diferentes.

Amarelinho foi encontrado debaixo de um automóvel, faminto e sujo, e num ápice encontrou em Fernanda um lar.

Ricardo foi encontrado junto ao Minimercado, e também num ápice foi para o lar de Fernanda.

Lembrava-se por vezes da sua pacata vida, antes de arranjar os seus gatos. Tão pacata que nem social chegava a ser.

Trabalhou desde sempre no Minimercado da vila, e sentia-se feliz.

E sentia-se feliz simplesmente por poder contactar pessoas. Adorada pelos velhinhos e invejada pelas suas esposas. Mas sem rancor….


Era a Nandinha. Fernanda só passou a ser tempos depois, e apenas para uma certa e muito especial pessoa….

(continua....)