quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Mundo acaba Amanhã!

A notícia caiu que nem uma bomba e surgiu em todos os meios de comunicação social ao mesmo tempo, num frenesim global!
A minha primeira reacção foi “é treta de 1º de Abril” e depois reparei que estamos em Junho.
Ainda pensei numa campanha da Rádio Comercial, mas rapidamente me lembrei que hoje era o Dia do Animal de Estimação….
Foi só na terceira que me dei conta com horror da fatalidade “O Mundo vai mesmo acabar amanhã!
Nem pensei no facto de que eu próprio iria morrer…. e amanhã, juntamente com o mundo!
Nessa altura já todas as pessoas seguiam por ordem os cinco passos da perda e do luto de Kubler-Ross!
Falavam umas para as outras frases de negação como “não, pode ser!” ou “mas afinal quem é que está a espalhar esta notícia?
Logo a seguir explodiu a raiva e procuravam os culpados! “Eles é que fizeram isto!” e logo a seguir procuravam destruir fosse o que fosse.
A fase da negociação foi extremamente rápida, pois nada havia para oferecer, nem a quem, por isso cedo cederam à depressão.
E como zombies aceitaram a inevitabilidade e saíram todos à rua, enfrentando a luz, lívidos…..
E eu? Passei por todas as fases como todos os outros e também rapidamente me vi no meio da rua, sem ter noção do tempo, sem ter noção de nada.
Assuntos pendentes como ir aos Correios, levantar dinheiro ao multibanco ou um almoço combinado ficaram esquecidos no cérebro…
Por todo o lado via pessoas a caminharem de um lado para o outro, aturdidas, sem destino….
Outras ainda conduziam desenfreadas, fugindo sabe-se lá para onde, sem respeitarem sinalizações ou mesmo faixas de rodagem!
Já uma mole de pessoas caminhava atrás de uma cruz numa procissão silenciosa. Brutal. Senti-me bastante tentado, mas por qualquer razão segui caminho….
Sentia-se uma tensão incrível por todo o lado. A electricidade andava no ar, verdadeiramente palpável.
Com os nervos à flor da pele, as pessoas agrediam-se umas às outras por nada e por tudo, e por isso não me admirei nada a ver por todo o lado cachos de pessoas à pancada ao estilo do Velho Oeste.
As pilhagens tinham rebentado por todo o lado e tornou-se extremamente perigoso caminhar perto de prédios pois tudo caía das janelas e das varandas. Mesmo tudo!
As redes de telemóveis e de wifi não funcionavam, mas mesmo assim via os outros a olhar insistentemente para os seus smartphones....
.... talvez na esperança que alguém ligasse ou escrevesse “afinal o Mundo não acaba amanhã!” ou “amo-te!
Entretanto eu já tinha um objectivo muito bem definido. E queria cumpri-lo, desse por onde desse.
Queria estar com aqueles que amo! Nem que fosse a última vez… nem que fosse a última vez….