segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sentimentos


O primeiro sentimento de que me lembro foi muito forte, tão forte que perdurou pelos anos até hoje. Eu era muito pequeno e fiquei indignadíssimo!

Imaginem vocês eu ter tido uma ideia fenomenal, e sem dizer nada a ninguém comecei a pô-la em prática. Quando os adultos se aperceberam do que eu estava a fazer riram-se e disseram que não, que não podia ser.

Os adultos não me trataram mal nem me desrespeitaram. Antes pelo contrário, acharam graça à iniciativa. Mas para mim a ideia era muito boa e por isso não compreendi a razão porque me impediram de a por em prática. Ela era fantástica!

O facto de ter permanecido na memória este sentimento de indignação (mas podia ter sido outro) leva-me a pensar que estes, quando puros e verdadeiros, são extremamente fortes e perenes. Eles ajudaram-me a formar a minha alma e a definir quem sou, passando a fazer parte de mim.

Os sentimentos ficam gravados para sempre no coração, e é por isso que me lembro tão bem deles e não tanto das memórias, sejam elas quais forem. Os sentimentos são (quase) tudo na vida, e é só com eles que ficarei, quando o resto se esvair.

Sei o que estão a pensar, e é claro que eu nunca vos contarei o episódio com que iniciei o texto, pois iriam pensar como eu: “Que criancice!”