sexta-feira, 30 de abril de 2021

Guia para a Felicidade Suprema - Ponto Dois

A minha querida mãe sempre me disse “bater numa senhora nem com uma flor”. E eu, pequenino, só me imaginava a bater numa menina com um girassol dos grandes, não com um malmequer merdoso. Sim, naquela idade a minha imaginação já era fértil e tinha pensamentos um tanto ou quanto perversos.

A questão do “é de pequenino que se torce o pepino” é totalmente verdadeira, pois estes preceitos de educação camiliana, incutidos em tenra idade, condicionaram e muito a minha relação com as mulheres, pois impediu-me muitas de vezes de reagir como devia ser. Não que lhes quisesse bater com um girassol dos grandes, mas….

No meio disto tudo, a minha única dúvida é, e vai continuar a ser, saber se, para a minha querida mãe todas as mulheres eram senhoras, ou se as senhoras eram apenas uma minoria no total das mulheres. Jamais irei saber.

Felizmente que, com a idade, os condicionalismos tendem a perder força, e secretamente tenho uma grande plantação de Girassóis Espinhudos lá para os lados de Benavente. Desculpe lá mãezinha, mas por vezes, o que tem de ser, tem de ser, e o que tem de ser tem muita força, e um gajo não consegue ser de ferro a vida toda.

Eu sei que vou chocar muitas pessoas, mas tenho um anuncio a fazer: “Não há relações perfeitas!” Chiça, custou-me dizer, mas tinha de ser dito. As relações “quase” perfeitas duram o tempo exato em que ambos estão tão entretidos a fazer poucas vergonhas que nem conseguem reparar nos defeitos um do outro!

E ainda digo mais, mesmo sabendo que a maioria de vocês ainda está de cabeça à nora pela minha anterior revelação, mas aqui vai: “Não há pessoas perfeitas!”. E quem se julga perfeito, é por que é ainda mais imperfeito que os outros, tem é mania e julga que os outros são trouxas.

Assim, para se estar devidamente preparado para a proverbial Guerra dos Sexos, deve-se ter sempre à mão Girassóis Espinhudos, pois nunca se sabe quando se vai precisar deles, e se não servirem para bater, servem de arma de dissuasão, e este conselho é, de resto, o Ponto Dois da Felicidade Suprema.

E sejam felizes. E assim, sim, para sempre.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Guia para a Felicidade Suprema - Ponto Um



 Mas afinal o que leva dois seres a juntarem-se, a ficarem juntos, como pombos? Muitas vezes pensei nisso e só obtenho duas respostas: quando o solteiro está farto de ser Feliz, ou então que é Feliz e nem o sabe!

Na realidade, a resposta à minha questão varia entre vantagens económicas, atração física, intelectual ou pelo que o outro tem, um objetivo comum, filhos e, finalmente, o famoso, não querer estar sozinho.

Cada caso é um caso, e só dentro da cabeça de cada um é que se pode saber a razão principal para que uma alminha decide atura outra, quando poderia muito bem estar feliz da vida, a assistir à série televisiva preferida, sem ter a cara metade a querer assistir a outra coisa.

Antes que algum leitor mais atento faça a pergunta, faço-a eu “E o amor?”. E respondo logo: "Em lado nenhum!" Mas desde quando é preciso estar sempre com a pessoa que amamos? Chiça. É demais, não? Não há um mínimo de privacidade?

Tenho como profunda convicção que a convivência diária estraga o Amor, e acuso especialmente a rotina como a principal responsável pelo desgaste das relações. Quanto mais se está com a outra pessoa, mais esta vai perdendo o charme, aos nossos olhos.

Assim, se querem realmente uma relação amorosa duradoura igual à dos filmes, vejam-se de vez em quando, de preferência por Videochamada, e já podem, inclusive, ficar de porta aberta quando estão na casa de banho, que é, de resto, o Ponto Um da Felicidade Suprema.

E sejam Felizes. E assim, sim, para todo o Sempre!

quinta-feira, 15 de abril de 2021

A Felicidade



Na sociedade digital e das redes sociais do século XXI, estabeleceu-se a ideia que o único objetivo da vida é o de se alcançar a Felicidade.

Mas para isso tens de ser jovem, bonito, corpo perfeito, rico, simpático, famoso, e estares acompanhado de pessoas como tu, e sempre a divertirem-se em lugares paradisíacos.

Por isso, só podes ser verdadeiramente feliz se estiveres com pessoas lindas, num resort de cinco estrelas e exclusivo nas Bahamas, a beber Champagne Cristal e a comer lagosta suada ou trufas.

Imprescindível é publicares tudo o que deliciosamente fazes no Instagram, apenas e só para chatear os invejosos e para eles terem a real ideia da vida que tu tens, e que eles não têm e que nunca terão.

Também importante é que, depois de teres atingido a felicidade suprema, tens de garantir que esta será eterna, como nos contos de fadas, que terminam com a frase “e foram felizes para sempre…

É evidente que, com este conceito de felicidade verdadeiramente inatingível, criou-se uma geração de pessoas frustradas e sem autoestima, que, vivendo a felicidade dos outros à distãncia de uma rede social, nem sequer tentam ser felizes, apenas sonham sê-lo.

Eu, porém, só consigo atingir a felicidade se estiver verdadeiramente bem comigo próprio, pois é dentro de mim que tenho de encontrar o que realmente me faz feliz.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Revelações

 


Considero o ato de Pensar como algo maravilhoso, especialmente quando desse ato consigo obter revelações acerca dos verdadeiros significados sobre situações e sentimentos.

Depois desses exercícios mentais, fico a chamar-me de estúpido, pois estas revelações estiveram sempre ali, pacientemente à espera que eu as descortinasse.

Mas porque é que estou a obter esse tipo de descobertas tão tarde? É que se tivesse obtido essas respostas mais cedo, teria tomado outras opções e a minha vida teria sido outra!

Mas como as revelações estão a ser tardias e a conta-gotas, só me permite dizer “se eu tivesse sabido disto mais cedo, teria agido ou decidido de outra maneira!

Sei que o tempo não volta atrás, que as situações ocorridas já fazem parte do passado, e “não adianta chorar sobre o leite derramado”.

Na realidade, nunca escutei os mais velhos, e decerto que cada um deles devia ter tido também as suas revelações, mas que nunca mas transmitiram. Mas agora sei a razão.

É inútil e escusado transmitirmos revelações, pois cada de nós é que deve obter os conhecimentos, pois estes são adaptados à realidade de cada um de nós.

Cada ser humano é único e irrepetível, fruto da sua genética e de percursos pessoais, moldados através da educação, das relações e dos conhecimentos.

No entanto, malditas revelações, que chegam apenas no balanço da vida, quando já é demasiado tarde para poder mudar seja o que for.

Mas é assim a Vida. E nada mais me resta senão aceitá-la tal como ela é.

quarta-feira, 3 de março de 2021

A Minha Pandemia Privativa

 



Até finais de 2019 a maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar da palavra pandemia. Eu já sabia o que era, mas só de ler nos livros de história.

Nas descrições da história da humanidade, há sempre menos referências às pandemias do que à vida dos poderosos.

Vê-se bem que a doença, a fome e a morte das pessoas comuns nunca mereceu destaque, pois sempre foi a regra, nunca a exceção.

Tenho atravessado esta pandemia de uma forma quase singular, pois tenho ido trabalhar todos os dias, estando fisicamente no mesmo local de trabalho, a fingir que nada se passa.

Ver a sala sem colegas, os edifícios desertos, os passeios sem pessoas e as lojas e restaurantes encerrados, mexe comigo, e não há maneira de me habituar.

Confesso que por vezes sinto-me, no meu local de trabalho despido de pessoas, como se fosse “o último homem na Terra”, e acreditem, não é uma boa sensação…

Acredito que as pessoas que estão fechadas em casa, por razões inversas às minhas, também estão mexidas. E algumas, mesmo muito.

Pergunto-me se os confinados estão desejosos de sair ou, inversamente, vão continuar com receio de estar com outras pessoas.

Dizem que é para breve que vamos todos sair de casa, respirar sem máscara, viajar, abraçar e falar de outros assuntos.

O que não dizem é que bastará um boato de que anda outro vírus a circular para que todos se voltem a refugiar nas suas casas, em pânico.

É que se “gato escaldado de água fria tem medo”, os humanos são muito piores que os gatos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

A P*ta da Vida (2)



SEGUNDA REFLEXÃO SOBRE ESSA RAMEIRA

Estou entre a espada e a parede, com a ponta da lâmina a furar-me o peito, e a começar a doer bastante.

Estou naquela idade em que sinto o tempo a fugir, mas ainda estou com muita vontade de poder fazer muita coisa.

Porém, tenho cada vez mais consciência que, por mais que me esforce, já não conseguirei fazer tudo o que gostaria.

Sinto pena, não de mim, mas por mim….

Eu até nem comecei tarde, mas por causa de ti, P*ta da Vida, parei, divergi, atalhei, e quando dei por mim, não estava a fazer nada do que tinha desejado e previsto.

E quando quis retomar o caminho original, vi surgirem todos os obstáculos possíveis e imaginários.

Agora, que ganhei consciência que, para fazer coisas que gosto, não é preciso estarem reunidas as condições ideais, já não tenho tempo para tudo fazer.

Estou a tentar retomar, mas sinto um amargo de boca pelo tempo de vida desperdiçado, pelas coisas que já não vou descobrir, pelos mistérios que nunca irei desvendar.

P*uta da Vida que não me avisaste que a Vida era tão curta, que passava tão rápido, e de que eram precisas duas ou três vidas para poder sentir que vivi em pleno.

E, sinceramente, porque raio não me deste tu um simples manual de instruções de “como viver”? É que sempre me terias poupado a muitas frustrações.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A P*ta da Vida (1)

 

PRIMEIRA REFLEXÃO SOBRE ESSA RAMEIRA

Uma grande amiga minha disse-me uma vez que por vezes não sabia o que queria, mas sabia muito bem o que não queria. Depois disso já ouvi essa pérola de sabedoria mais algumas vezes, mas isto é como tudo, pela primeira vez tem sempre mais impacto.

Realmente é fundamental sabermos o que não queremos aturar, o que não podemos permitir, o que não estamos dispostos a que nos façam. O resto torna-se mais fácil, pois ao traçarmos uma linha definida do NÃO, tudo o que fica do outro lado é SIM.

Mas a Vida, essa Gaja Insana, não facilita, e coloca entre o NÃO e o SIM uns “talvez”, “de acordo com as circunstâncias”, “se for assim não, mas se for de outra forma sim”, e assim por diante, que transforma o que era apenas branco ou preto num quadro com enormes manchas cinzentas.

P*ta de vida que tanto me lixas! Por que razão nunca me colocas em situações perfeitas ou perante pessoas perfeitas? É que para imperfeito já basto eu, e não preciso de mais. Mas assim seria demasiado fácil, e tu não estás para me facilitar nada, pois não?

É que se nem a mim próprio consigo entender, escuso de continuar a tentar entender os outros, tornando-se perfeitamente inútil estabelecer qualquer tipo de empatia perante pessoas que são tão doidas e incoerentes como eu próprio. Ou piores ainda, se fosse possível.

Cada vez tenho mais a certeza que nunca soube viver, e por isso invejo os outros que realmente o sabem fazer, facilmente. Sempre defendi a ideia que viver é fácil, mas que, muitas vezes, o pessoal é que complica.

Raios! O que é que se passa comigo, afinal? Terei faltado a uma lição importante de vida? Terei interpretado mal alguma coisa? Serei demasiado estúpido para perceber? Mas já não importa, pois estou resignado de que nunca saberei a verdade.