quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Estar Sozinho




Num dos meus zappings apanhei uma frase da série NCIS Los Angeles que me fez pensar. Na cena, Miss Hetty disse: Ninguém merece estar sozinho, nem mesmo você, Mr. Deeks.

Esta afirmação fez-me pensar sobre o que significa “estar sozinho”, e constato que é tudo menos simples.

Posso pensar que significa morar sozinho. Sim, é estar sozinho fisicamente.

Ou então posso pensar na ausência de uma relação. Sim, isso é estar sozinho afectivamente.

E ainda posso pensar na ausência de familiares. Sim, é estar sozinho familiarmente.

Qualquer uma das situações descritas é penosa para muita gente. E a mistura de duas ou das três referidas é demasiado dramática para a maior parte.

Mas talvez a mais penosa que consigo imaginar é a de alguém que vive com uma pessoa, com quem tem ligação afectiva e, por alguma razão (ou nenhuma) é ignorada, rejeitada, marginalizada.

Esta situação sim é penosa, destrutiva, insuportável até, e que com o passar do tempo transforma qualquer pessoa numa sombra do que já foi, num espectro, num pária.

Considero que é infinitamente melhor viver sozinho do que estar sozinho a viver com uma pessoa que tanto lhe diz, mas que não lhe diz nada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Condicionados




Todos nós nascemos, vivemos e morremos condicionados.

Podemos viver a vida inteira sem nos apercebermos da nossa condição de condicionado pelo simples facto de nunca termos sequer pensado no assunto.

Nascemos e passamos os primeiros tempos das nossas vidas descondicionados, mas a condicionar outros.

Começamos a ser condicionados, contra a nossa vontade diga-se desde tenra idade. Comida, dormida, asseio, linguagem, tudo nos é regulado gradualmente.

Na juventude ficamos irremediavelmente condicionados pelos amigos. Ironicamente, é a altura da vida que julgamos ter mais liberdade.

Só quase no ocaso da vida é que começamos a libertar-nos de alguns condicionalismos, porque nos apercebemos deles pela sua inutilidade.

A sociedade é sempre o principal condicionador. Nesta está incluída a religião fenómeno social e não religioso.

É o condicionalismo que mantêm a ordem e a coesão social, dirão alguns. Sem ele, dizem, seria a anarquia e regrediríamos ao nível da barbárie.

O aceitar estar condicionado é principalmente uma forma de estar. Basicamente é o aceitar regras e normas impostas por outros sem nos consultarem.

Nós escolhemos os políticos que julgamos mais capazes de condicionarem a sociedade com as “nossas” normas.

O não cumprimento dos condicionalismos leva rapidamente ao ostracismo e ao isolamento social, e que pode não ser revertido mesmo retomando as regras novamente.

A maior parte da nossa vida é passada ao lado de pessoas que pensam e agem como nós. Será que alguma vez pensámos se deveremos continuar assim ou se deveríamos alterar esta forma de estar?

Já alguma vez nos questionámos sobre o modo como fazemos, pensamos e falamos, como se tivéssemos sido programados?

Já alguma vez pensámos nos nossos próprios condicionalismos?

Já alguma vez pensámos como seria se nos libertássemos de um ou outro condicionalismo?

Pagar as contas é um condicionalismo necessário. Guiar pela direita em Portugal é outro imprescindível. E há muitos mais que nem notamos por serem tão naturais como respirar. Não sou apologista da plena liberdade, amor livre ou anarquia, por exemplo.

Mas sou apologista de que pensemos. Devemos pensar com clareza e por nós mesmos.

Pensemos nas coisas que nunca fizemos porque “pode parecer mal”, pensemos no tempo perdido, nas oportunidades desperdiçadas, no quase, no ano que vem vou fazer, no que diria a minha família, no que tio, na prima, na vizinha, no tempo que já não volta, no não faço isso que faz mal, que tenho vergonha, que é longe, que é muito perto, que está a chover, que está calor.

Pensemos é no resto da nossa vida, livro em branco o qual temos de preencher da melhor forma possível!

Pensa, Imagina e Liberta-te! Verás que viverás melhor.




 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Quero-te?!


Mas…. Sabes o que queres!? Ou não!? Não há meio-termo.

Para saberes o que queres deves antes saber o que não queres!

Para saberes o que não queres deves ter certezas!

Para teres certezas deves ter um passado!

Para teres um passado deves ter a experiência real!

Entre experiências reais, períodos de reflexão, de reclusão, de libertação, de avanços e recuos, de situações de paixão ou ódio, polvilhados com indiferença ou deixa-andar, ou te despachas ou arriscas-te a terminar a tua viagem sem sequer teres descoberto “o que queres”. E se queres, ou não….!!??







 

http://xabiverde.blogspot.com/2015/08/quero-te.html




quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A Origem das Palavras I


 


A criancinha chega perto dos pais com uma gigantesca cara de safado e confessa: fiz meda. O pai, professor de português de profissão, corrige-o logo: “não digas que fizeste meda, tens de pronunciar o R. Diz lá agora forma correcta”. A mãe, já com cara de quem se está a passar (novamente) com o pai diz: “filho, não se diz merda, diz-se caca. Mas que fizeste tu?
Como sabemos esta ficcionada história é muito habitual nos nossos lares. Invariavelmente a educação portuguesa tenta adiar ao máximo possível a utilização de asneiras e asneirolas por parte da pequenada, e dado o termo “merda” ser dos primeiros a surgir, normalmente é substituído por caca, talvez por ser mais fofo, mais carinhoso ou mais cheiroso, digamos.

Mas de onde terá vindo esse termo: caca? Até hoje nunca me tinha questionado sobre a sua origem. Mas talvez se tenha perdido nos tempos. Ou não.
Será originária de alguma região de Portugal? Analisando a frio parece-me que não. Talvez tenha vindo do estrangeiro, seguindo algum séquito real? Sigamos essa pista, recorrendo às novas tecnologias.

Colocando “merda” no Google Tradutor, verificamos que no espanhol / castelhano é como sabemos mierda, no francês merde (adoro ouvir o termo vindo da boca de uma francesa enervada) e no galego, catalão e italiano é merda. Assim mesmo, tal como a nossa.
Mas nada de caca. O mistério permanece…

Não estou satisfeito nem convencido. Tentemos outra vez. Nas línguas de países mais distantes e com línguas não latinas é escusado, pois saem palavrões incompreensíveis.
Vejamos agora naquela língua tão próxima em distância e no entanto tão longe de nós. Tão fácil para todos de utilizar que os próprios falantes contam que “quando Deus quis castigar o Diabo pelas suas tropelias o pôs a aprender Basco durante 3 anos!”

 


Sucesso! Merda em Basco é Kaka!


Está portanto descoberta a origem do termo alternativo e fofinho à merda nacional.
Realmente Kaka é muito mais cool. Estes Bascos são mesmo elegantes.

E afinal as mamãs e os papás portugueses querem é ensinar Basco aos seus filhos e eu nem sequer imaginava. Estão mesmo muito à frente.
Benditos sejam estes progenitores! Ou como dizem os Bascos “horietako pozik nago”.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A História a Preto e Branco


Todos nós aprendemos na escola que ao chegarem à Península Ibérica, os Celtas - povo do centro da Europa - encontraram os Iberos - povo proveniente do norte de África, e rapidamente se tornaram amigos e aliados. Mais. Da sua miscigenação resultaram os Celtiberos - base rácica da população ibérica.

Confesso que nunca acreditei muito nessa teoria. Soou-me sempre a propaganda dos anos 30 e 40 do século XX, pelo toque de povo escolhido. Aliás, esses anos foram férteis em situações dessas. Todos os povos eram especiais e únicos, e os seus líderes escolhidos por Deus. Isto não aconteceu só na Península Ibérica mas por todo o Mundo, em que a história era recontada vezes sem conta, sempre adequada ao momento político. Era a história ao serviço do poder vigente.
 
Estaline foi um mestre na arte de reescrever a história. Os seus antigos aliados políticos caídos em desgraça eram retirados dos livros de história e das referências escritas, fotográficas ou de filme. Ninguém poderia voltar a falar deles. Era como nunca tivessem sequer existido

No seu livro “1984” George Orwell retractou de uma forma magistral a necessidade das ditaduras de reescreverem a história. Neste livro as potências vizinhas, conforme fossem aliadas ou inimigas, eram representadas como anjos ou como demónios. Se a situação se alterasse, ou seja, se a potência aliada passasse a inimiga, o passado era reescrito de acordo com a nova situação. O anjo caído era agora um demónio. Os que eram povos irmãos até aquele dia tornavam-se inimigos desde sempre. Era o branco e o preto. Não havia cinzento.
 
Os Estados Unidos e Cuba estão agora mesmo a reescrever as suas respectivas histórias. Os americanos estão decerto a suavizar as frases sobre Cuba nos livros de história, de forma a que o antigo “feroz ditador Fidel Castro” seja agora retratado como um homem apenas ligeiramente obstinado. Politicamente convém não afrontar o ditador que seguiu a Fidel: o seu irmão Raúl.

Decerto que para os verdadeiros revolucionários cubanos (e um pouco por toda a América do Sul) também lhes soará mal a nova situação. Sem mais nem menos, o antigo “Grande Satã americano”, eterno inimigo da revolução castrista, abre embaixada em Havana. Como estarão a ser alteradas nos livros de história cubana situações como a Baía dos Porcos e Guantanamo? E qual será agora o novo inimigo da revolução cubana?

Li algures que Fidel Castro fez há uns anos uma profecia, referindo-se decerto ao impossível: “Cuba e os Estados Unidos só se aproximarão quando houver um Papa for sul-americano e os EUA tiverem um presidente negro.” E não é que o homem acertou?

Na minha opinião, esquisito mesmo é ver um líder de um regime comunista ter o dom de premonição!


 


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O Sonho

Um sonho é um sonho! Seja ele qual for.

O meu seria poder visitar o Japão de uma ponta à outra, desde o norte gelado às ilhas subtropicais do sul. Porém, para usufruir desse sonho (para além da vertente económica, claro), necessitava de conhecer bem a língua nativa. E como dou razão ao velho ditado “burro velho não aprende línguas”, nem me vou dar ao trabalho de pedir o passaporte.

Analisemos o sonho. É algo precioso e mimoso, mas por outro lado é forte e durável. É algo pessoal, íntimo.

O sonho é como uma paixão. Corrijo. O sonho é uma paixão! Na nossa vida devemos ter tantos sonhos como paixões. Ou seja, poucos. São ambos explosivos e inebriantes.

Mas ao contrário da paixão que desaparece passados uns meses, um sonho na vertente da duração é como o amor, pois vai ficando, e acompanha nos bons e nos maus momentos da nossa vida.

O sonho é portanto o melhor dos dois mundos. Reúne os aspectos positivos da paixão e do amor. E eu não consigo encontrar mais nada que tenha estas características, ao mesmo tempo intenso e perene.

E tu? Já tens o teu?

Bem, agora a sério. Se souberes de algum método de aprender japonês daqueles muito fáceis avisa que eu vou já tratar do passaporte!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Gavião e o Rato


Um pequeno rato saltita entre os cardos, confiante que nenhum predador o atacará sem se picar dolosamente. Os pequenos animais, sabe-o bem, têm de se esconder para se protegerem. Percorre as fileiras de “produtos” como se estivesse num qualquer supermercado, vendo, cheirando e tocando. As únicas diferenças entre um local e outro é que ali não há fila para pagar, mas no supermercado também não correria risco de vida.

O calor aperta no cimo da escarpa. Se as aves suassem, o gavião estaria alagado em suor. Até os lagartos estão recolhidos. Mas ele precisa de caçar.

Ele sabe que é o maior predador das redondezas, depois do falcão peregrino ter desaparecido para nunca mais voltar. É intocável nas alturas, rei dos céus e terror dos animais dos vales em redor.

O gavião sente que há muitas presas lá em baixo, escondidas entre as pedras e as silvas, alimentando-se mesmo nas horas de maior calor. Ele sabe que mais tarde ou mais cedo a caça irá revelar-se, e que ele ficará muito grato pela comida.

O rato é um ilustre habitante do vale, se bem que não se distinga particularmente de centenas de membros da sua família, que há milhares de anos habitam estes vales sombrios.

Invariavelmente, membros da família são repasto de caçadores, sejam estes alados ou rastejantes, tenham garras, bico ou dentes. Todos nos impressionamos com essa carnificina, e os mais velhos dizem invariavelmente, “é a vida”. Mas o nosso rato pensa “só se for para ti, que tens quase três anos, estás velho e lento e queres morrer. Eu não!

A música dos insectos parece-lhe quase ensurdecedora. Os grilos parecem doidos, chamando. Até parece que as próprias formigas gritam umas com as outras. Aparece no caminho um resto de tubérculo particularmente apetitoso, o que o faz estremecer de emoção.

O gavião, mesmo sabendo que a sua presença será muito mais notada, e que poderá ser prejudicial para a caçada, resolve iniciar a sua ronda pelos vales, mostrando-se.

A ave executa essa performance para se mostrar, mas também para encontrar animais envelhecidos que já pouco de mexem, e que podem ser apanhados facilmente. Mas como ave de rapina o que gosta é caçar animais novos, proporcionando um jogo emotivo, doses maciças de adrenalina, e se conseguir agarrar a sua presa, pode dizer que o seu dia está ganho.

O rato está em êxtase (verdade seja dita, ele entra nesse estado sempre que consegue comer algo que gosta particularmente, o que não é raro), e nem se apercebe que a uns quilómetros dali o seu arqui-inimigo levantou voo. Já o tinha visto muitas vezes, mas felizmente o contrário nunca tinha acontecido. Dos ratos que são vistos pelo gavião poucos são aqueles que contam a sua história no serão seguinte.

Mastigando rapidamente o tubérculo, o rato continuava incomodado com a barulheira infernal dos seus vizinhos de ocasião. Compara a sua situação à estadia numa taberna ao final do dia, em que os restantes clientes estão todos aos gritos e aos urros, impondo cada qual a sua opinião avinagrada sobre a marcação de um penalti, e se deveria ter sido expulso o jogador alegadamente faltoso. “Se a comida não fosse tão boa, voltava para casa só para não ouvir estes idiotas!”, pensou quase ensandecido com o calor e a chinfrineira.

O gavião rodeia o vale pela esquerda, conforme o seu hábito, e sobe um pouco, pairando sobre um grupo de arbustos densos, perdidos em terreno arenoso. Sabe que ali costuma haver presas, escondidas e protegidas pela vegetação. Não foram raras as vezes que teve de desistir da perseguição perante a investida dos cardos.

O rato continuou a sua tarefa de degustação, desatento e relaxado. “É de dia, está calor, o gavião deve estar a querer tudo menos andar por aqui atrás de ratitos.” Mal sabia ele que a besta dos céus já o tinha visto. E mais do que uma vez nos últimos tempos. E que para além de saber da sua existência, sabia onde se alimentava e quando. É tétrico quando estamos na mira de um assassino nato. É menos tétrico quando nem desconfiamos.

O gavião estava mais uma vez à procura de caça. Não de presas fáceis, mas de perseguição pura. Sentia-se cheio de força e agilidade. E tinha de continuar a impor a sua força nos vales, e nada melhor que caçar animais jovens e saudáveis.

Pela experiência e por visitas anteriores, já conseguia perceber o que se passava dentro do labirinto de túneis, onde era largo e estreito, onde haviam cardos e outros espinhos, e onde poderia estar perseguir a sua presa.

O rato nem se apercebeu que instantaneamente todos os barulhentos insectos se calaram. Apenas o calor ficou. E o tubérculo delicioso. O mundo tinha ficado completamente parado, e o único ser vivo era o rato, cujo abdómen crescia a olhos vistos.

A ave estava pousada num ramo alto de um arbusto de folhas verdes escuras, de onde podia ver todo o movimento de entrada e saída do outeiro. De forma a poder estar atento, rodava o seu pescoço de uma forma rápida, uma e outra vez. Os seus olhos semi cerrados mostravam toda a sua atenção nos mais ligeiros movimentos ou sons.

O rato estava a ficar saciado, pois ao contrário de boa parte de nós, humanos, eles comem para viverem, e não o contrário. Há algum tempo que não se alimentava de tubérculos tão deliciosos. Pensava nas coisas boas da vida, e que a boa comida era, para ele, parte integrante. Parou, não sabendo se por estar cheio ou por ter pressentido algo.

Apercebeu-se que estava tudo silencioso. Demasiado silêncio. Pensou que poderia estar nas redondezas uma cobra, e que a sua aproximação provoca este silêncio angustiante. Desconfiou mal e ajuizou pior. E quando estamos nesse “supermercado”, temos de se acertar nos perigos, caso contrário, a morte espreita.

O rato pôs-se em estado de alerta vermelho. Olhando para os lados, viu outros animais de olhos bem abertos, como se estivessem colados aos ramos e folhas, procurando passar despercebidos aos olhos do predador. Ainda não sabia onde estava o perigo e qual era.

Tinha várias opções: fugir ruidosamente e velozmente, e se fosse a cobra só por profundo azar passaria por ela e seria agarrado (se ela não estivesse perto jamais seria apresado); ficar tão imóvel quanto possível, esperando que o perigo não estivesse a olhar para ele; ir passando de um arbusto para outro, até ficar nas cercanias e poder fugir para o monte, onde se situavam os túneis familiares.

O gavião estava ciente da sua presa. Localizou-a logo que tinha pousado. Divertido, olhava fixamente para ela e apercebeu-se da sua mudança de comportamento. Estava completamente ciente que esta presa já não lhe escapava, fizesse o que fizesse, pois estava num beco sem saída, excepto por cima.

O roedor ainda não tinha noção da sua situação. Como nos filmes de terror classe B, sabemos que um qualquer Freddy Krueger anda aí com a sua camisola às riscas e lâminas a fazer de unhas, pronto para nos fatiar, mas julgamos sempre que a nossa situação é bem melhor do que realmente é. Pensou que caso ficassem todos como animais empalhados, o caçador, fosse ele qual fosse, preferiria ir para outras paragens, onde as presas estivessem menos alertas.

A ave predadora tinha estudado tudo, previsto tudo. A sua presa estava por um fio. Era uma caçadora experiente e confiante, tendo tido bons professores. O clímax aconteceu. Estendendo o seu pescoço e ao abrir o bico gritou, aterrorizando a sua vítima, gelando-a perante a sua aproximação instantânea. A fuga era impossível. Estava perdido!

O nosso rato ouviu o grito e saltou, fugindo rapidamente dali, assim como todos os que ali permaneciam. Importava era fugir, não importando para onde. O caos tinha-se instalado na moita, cada um sentindo calafrios na espinha sentindo as garras assassinas prestes a rasgarem-lhe a pele das costas. Os guinchos eram mais que muitos, sobrepondo-se aos ruídos de unhas e garras a tocar no solo arenoso ou nos ramos.

O gavião tinha agarrado a sua presa numa das patas, estando prestes a levantar voo. Desta vez, o nosso rato tinha escapado. Desta vez outro membro da sua família tinha tomado o seu lugar no destino. Até uma próxima vez. Até à próxima.