Mostrar mensagens com a etiqueta Família. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Família. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

O Atual Significado da Palavra Amor

 


O significado da palavra “Amor” mudou. Tornou-se uma palavra popular, quando antes era seleta. Agora é dita por todos e a todo o momento, quando antes esta só era dita a pessoas realmente especiais, e em ocasiões excecionais.

Sim, é verdade. A palavra “Amor” tornou-se vulgar e banal. “Amamos” a nossa série favorita, o nosso clube, os nossos amigos e os nossos familiares. Antes “gostávamos” ou “gostávamos muito”, mas agora já não gostamos, nós “amamos”.

Como não foi criada outra palavra para definir o sentimento de “muito mais do que gostar”, a palavra “Amor” está ainda em vigor. Só não sei por quanto tempo é que esse superlativo vai continuar a liderar as cotações das frases românticas.

Tal e qual como a inflação come o nosso poder de compra, com o dinheiro a valer cada vez menos, a importância da palavra “Amor” tem decrescido ao longo dos tempos, e agora vale realmente muito pouco.

Antes “gostávamos” dos amigos, tínhamos “paixões” fortes e passageiras, e “amávamos” o/a consorte. Tudo isso é passado para o léxico atual. Agora “Amamos” todos, sejam eles familiares, consorte, amigos, animais de estimação e músicas. Acabou o “gosto” ou a “paixão”. É só Amor!

Foram criados os diversos “Tipos de Amor”, como sejam o Amor incondicional, o Amor condicional, o Amor passageiro, o Amor rápido, o Amor lento, o Amor platónico, o Amor clubístico, o Amor um bocado falso, o Amor quase quase, entre outros.

E tipificaram-se os “Amados”, agrupados pelos diversos destinatários, sejam eles os familiares, o/a consorte, os amigos, o treinador e jogadores do clube favorito, Deus, Anjos, e assim por diante, numa mole imensa de pessoas e coisas.

Somados os “Tipos de Amor” com os “Amados” surge uma “Pirâmide do Amor”, em que no topo fica, por exemplo, o Amor incondicional aos familiares, ou ao clube do coração, e que acaba no amor foleiro, que aparece e desaparece numa noite bem bebida...

Assim, o Amor não desapareceu, apenas se transformou, popularizou-se, banalizou-se, é de todos e para todos, e não é só para alguns, poucos, eleitos, como dantes. É só mais um sinal dos tempos.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Sangue


Este texto não está relacionado com um qualquer episódio sangrento, género muito popular e inesgotável, e onde por vezes a realidade supera toda e qualquer ficção.
O Sangue a que me refiro é a Família. E esta, como sabemos, não se escolhe!
Um conhecido meu contou-me que a mãe dele diz ao marido dela (e pai do meu amigo) a frase "Tu a mim não me és nada, sangue são os meus filhos".

Ou seja, a esposa considera o marido (e pai dos seus filhos) como um Estranho. E essa simples frase fez-me compreender muitas coisas...
Na realidade, o que foi dito está inteiramente certo. Ele não é sangue dela. Nunca será. Mas colocar para sempre o seu próprio marido em plano subalterno a qualquer membro da família dela não tem lógica. Para mim, claro. Ele, pelo contrário, nunca lhe disse nada disso, pois considera-a família.
Nos casamentos católicos, o pai (ou quem o representa) desfila na igreja de braço dado com a noiva, e ao aproximar-se do altar, em simbolismo, entrega a mão da noiva no noivo, formalizando a transmissão. A partir desse momento, a família dela passa a ser o do seu futuro marido.
Mas desengane-se o noivo, pois em quase todas as ocasiões, foi apenas mera encenação, uma fachada. A Mulher nunca será dele, mas sim da Família.
Claro que esta postura, esta filosofia de vida, acaba invariavelmente por reflectir-se negativamente ao nível da convivência, do respeito e das opções do dia-a-dia, conscientes ou inconscientes. Em caso de dúvida, o Sangue prevalece.
Soube de um caso real, de um marido recém operado, que viu a sua a esposa viajar para o estrangeiro para ir tomar conta do cão do filho de ambos, que ia de férias. Ela não podia dizer que “não” ao Sangue. O ciclo repete-se. Vezes sem conta.
Para mim, Família é Sangue E quem está comigo! E declaro-me totalmente incompatível com o Tipo Sanguíneo acima descrito. É-me tóxico. Mata-me.
Com essas Filosofias de Vida não admira que esses pseudo-casais se separem, pois, na realidade, um nunca foi nem será nada para o outro!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Estar Sozinho




Num dos meus zappings apanhei uma frase da série NCIS Los Angeles que me fez pensar. Na cena, Miss Hetty disse: Ninguém merece estar sozinho, nem mesmo você, Mr. Deeks.

Esta afirmação fez-me pensar sobre o que significa “estar sozinho”, e constato que é tudo menos simples.

Posso pensar que significa morar sozinho. Sim, é estar sozinho fisicamente.

Ou então posso pensar na ausência de uma relação. Sim, isso é estar sozinho afectivamente.

E ainda posso pensar na ausência de familiares. Sim, é estar sozinho familiarmente.

Qualquer uma das situações descritas é penosa para muita gente. E a mistura de duas ou das três referidas é demasiado dramática para a maior parte.

Mas talvez a mais penosa que consigo imaginar é a de alguém que vive com uma pessoa, com quem tem ligação afectiva e, por alguma razão (ou nenhuma) é ignorada, rejeitada, marginalizada.

Esta situação sim é penosa, destrutiva, insuportável até, e que com o passar do tempo transforma qualquer pessoa numa sombra do que já foi, num espectro, num pária.

Considero que é infinitamente melhor viver sozinho do que estar sozinho a viver com uma pessoa que tanto lhe diz, mas que não lhe diz nada.