sexta-feira, 30 de junho de 2023
A Caixa de Metal Vermelha
Um Tesla azul aproxima-se silenciosamente de onde eu estou, e de dentro dele saem apressadamente dois indivíduos que, prontamente, se encaminham para o porta-bagagens, mas ao verificar que querem o mesmo, começam a esmurrar selvaticamente um ao outro, ali mesmo, sem sequer trocarem um insulto ou uma palavra sequer.
2.
Eu, eu, e
só eu
Olhei para a caixa de metal vermelha mais uma vez. Por causa dela, poderiam estar pelo menos quatro pessoas mortas. O que ela conteria? Qual o seu valor e para quem? O que eu iria fazer com ela agora? Eu já tinha retirado um veículo automóvel de um local de crime, sem justificação. O que poderia acontecer-me a mim?
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
O último resistente do Trabalho Presencial
A manhã
enevoada prossegue sem ritmo, sem som, sem vultos. O frio húmido lá fora enregela até
aos ossos, e eu minto para mim mesmo, dizendo que o este frio é revitalizante para o
corpo e para a alma.
De súbito, o
silêncio da manhã quebra-se quando touço o tocar do telefone fixo da minha
secretária, e pasmado, fico a olhar para o estranho objeto, pois julgava que esse telefone era apenas para exposição, como os defuntos aparelhos de telefax.
A medo,
aproximo a minha mão do auscultador do telefone fixo, a pensar: "Das duas uma, ou alguém
ainda sabe que existo e quer saber se ainda cá estou, ou então é alguém que se enganou no
número". Mas infelizmente não era nenhuma das duas hipóteses.
Quem me estava a ligar era uma criatura que odeia profundamente as novas telecomunicações, e por isso não me contatou, como os outros, por email ou skype. Ela ainda é do tempo em que se pediam as chamadas telefónicas às operadoras dos TLP.
A manhã
quase perfeita desmorona-se nesse instante, pois do outro lado da antiga linha
analógica ouço a sua voz arrogante como só os fracos de espirito conseguem ser, e altamente autoritária.
Tremi por
dentro e por fora, e amaldiçoei a minha vida. Pensei "Porque raio não estou em
teletrabalho?" Engoli em seco dezoito vezes, pois a minha garganta estava mais seca
que um Martini, e disse:
“Mas que prazer. Muito bom dia, colega. Em que lhe posso ser
útil?” E fiz para mim próprio o sorriso mais cínico que consegui, sabendo
que a minha manhã tinha acabado, que o meu dia tinha acabado, que o meu
precioso sossego tinha acabado. Talvez para sempre.
A pessoa em
questão queria algo muito simples, ou seja, que lhe ensinasse toda a Cabala em três frases, que fizesse Vodu sem tocar nas teclas, e que lhe transmitisse por telepatia
todos os meus conhecimentos sobre novas tecnologias. E isto sem dor.
Pedia-me assim o impossível e no imediato, e que eu que nem ousasse dizer que não, que não adiantava invocar a razoabilidade ou qualquer impossibilidade técnica ou humana. E o seu pedido rapidamente se transformou em exigência, e a exigência em ameaça.
Eu já pedia
a todos os Santos que houvesse um apagão geral quando ouço claramente a
campainha de casa da fera que me estava a ligar a tocar. Sorri, esperançado.
E a pessoa disse: “Colega, agora não posso mais perder tempo a falar consigo,
pois acabaram de chegar os meus netos para me visitar, mas descanse que eu já volto a ligar”. E eu, cordialmente me
despedi da criatura, e desliguei.
A
cantarolar, arranco da parede o fio do telefone fixo, quebro o desgraçado do aparelho em
vinte e três pequenos pedaços, arrumo os meus pertences, borrifo com água benta todo o espaço, penduro alho, e já de mochilas
nas costas, elaboro um email para o meu chefe.
“Chefe, é só para informar que irei para teletrabalho para sempre, mas se alguém me ligar através de um telefone fixo, digam a essa pessoa eu fui só tomar café, mas que volto logo. Abraço”.
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
Amar
Amar é das palavras
mais utilizadas, mas realmente nunca me
questionei sobre realmente o que Amar significa.
Eu Amei e Amo muitas coisas, como livros, filmes, quadros, esculturas, músicas, estilos, tendências, ideias, ideais, lugares, cidades, e também algumas pessoas.
E também poderia amar animais de estimação, como tantos fazem, mas ainda não me deu para isso...
O meu Amor
por tudo o que não são pessoas é de sentido único, pois amo e não espero
retorno. E nem sequer sou ciumento, pois gosto muito que outras pessoas amem o
que eu amo.
Já Amar
pessoas, a maior parte das vezes, é extremamente complicado, muito mais do que
amar simplesmente coisas materiais ou imateriais. Ou animais.
Posso Amar
uma figura pública por gostar do que faz ou como o faz. E amo-a até me fartar dela.
Posso Amar alguém
da minha família apenas por ser do meu sangue.
Posso Amar
uma pessoa, romanticamente, mesmo sabendo que essa pessoa não me ama, mas se
não a conquistar, sei que vou sofrer, mas superarei o drama e vou partir para outra.
Posso Amar
uma pessoa, romanticamente, acreditando que essa pessoa me ama, mas se afinal essa
pessoa não me amar, ou deixar de o fazer, regresso ao parágrafo
anterior.
Amar
romanticamente é um ciclo sem fim de ilusão, desilusão, sofrimento e
superação. E desiludam-se todos o que acham que Amar é um festival sem fim de
caricias, carinhos, frases doces e sentimentos lindos.
Quem tinha razão sobre Amar era Vinícius de Moraes, que termina o seu Soneto de Felicidade com "Amor é Infinito enquanto Dure"!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
A Lua
Uma Lua enorme apareceu de súbito de entre as árvores, e tão fortemente iluminada que mais parecia uma estrela gigante, num céu profundamente negro.
Desde há minutos que ouvia uivos de lobos, e pelo som senti que estavam perigosamente perto.
Sem outras opções, subo a um pinheiro bravo com ramadas fortes, para poder suportar o meu peso, trepo até aos ramos mais altos, e amarro-me fortemente ao seu tronco.
Nesse preciso momento inúmeros lobos passam por baixo de onde estou, a perseguirem em alta velocidade uma presa que não consegui ver bem o que era, mas que me parecia envolta numa bela luz dourada.
Tão
excitados estavam os lobos na sua perseguição que, aparentemente, nenhum detetou o meu rasto, pelo que abandono rapidamente a árvore e fujo dali.
Necessito de abandonar a floresta, mas o problema é que esta é enorme, e se não sei onde estou, muito menos consigo saber para onde tenho de ir.
A Lua surge novamente e diz-me que me acompanha, que me apoia, que me vai aquecer e iluminar o caminho, e eu, com a esperança renovada, sigo na sua direção.
Do nada deparo-me com uma colina íngreme, o que me deixa bastante satisfeito, pois é sabido que os lobos não apreciam muito este tipo de terreno.
Mas a minha preocupação de sobrevivência continua, pois poderei estar a escapar de lobos me encontrar com ursos ou coisa pior, como buracos ocultos no gelo.
Mais uma vez, a Lua diz-me que devo permanecer confiante e calmo, e que esta aventura terá no seu final uma agradável surpresa, e eu sorrio, confiante na sua palavra.
Quando chego ao alto de um alto penedo para tentar avistar o final da floresta, deparo-me com um brilho dourado intenso, a rodear uma criatura.
Apesar do enorme susto que tive ao ver algo tão estranho, senti que aquela luz dourada e quente me estava a atrair.
A neve fofa
abafa o ruído dos meus passos, e estou cada vez mais próximo, e a ver cada
vez melhor tão estranha criatura.
Ao chegar
mais perto, verifico que é uma criatura lindíssima, mágica, da qual nunca tinha visto nem ouvido sequer falar.
Reparo com tristeza que a bela criatura está ferida, com fios de sangue a correr pelo corpo, e compreendi que tinha sido atacada pelos lobos.
Ao notar a minha presença, a criatura assustou-se, mas não conseguiu pôr-se em fuga, tal o seu estado de fraqueza extrema.
Senti no meu
intimo que tinha de levar a criatura dali, pois de certeza que daí a pouco tempo os lobos voltariam, para terminarem o que já tinham começado.
Pego na
criatura nos meus braços, e para além de parecer não ter qualquer peso, até me dava a
sensação de eu próprio estar a flutuar.
Animado
com esta nova vantagem, começo a correr montanha acima, ouvindo cada vez mais longe os lobos a
uivar de raiva ao longe, frustrados.
Chegámos perto
do topo da montanha mais alta das redondezas, e descubro a entrada de uma
caverna que me pareceu bastante acolhedora.
A caverna
era perfeita para nos acolher, proteger e aquecer, pois, para além de servir de abrigo, permitia ver sem ser visto.
Dentro da caverna, vejo a criatura rapidamente a recuperar dos seus
ferimentos, sem eu ter necessidade de fazer absolutamente nada.
À medida que se recuperava, o brilho da
criatura aumentava, e as suas feridas sararam
completamente em questão de poucos minutos.
Assim que ficou sarada, a criatura assumiu uma forma completamente humana e asas surgiram das suas costas, enquanto eu caí de
joelhos, tal o meu espanto.
E o Anjo
falou comigo numa estranha e linda língua, completamente desconhecida para mim, mas mesmo assim, consegui
perceber tudo o que me disse.
O Anjo contou-me que, em
desespero, tinha pedido à Lua que o salvasse, mas que teve como resposta que não podia, pois estava muito longe.
Mas a Lua tinha-lhe dito que ia enviar a pessoa perfeita para o
salvar, e que estivesse descansado, pois a ajuda chegaria mesmo a tempo.
Dito isto, o Anjo fez-me uma profunda vénia de agradecimento, e voou em direção à Lua, a sua eterna companheira.
E foi assim
que eu fiquei a saber que há muita coisa para além do que vemos e sentimos, e muitas delas são mágicas e lindas.
E que nada na vida acontece por acaso….
(E um Feliz Natal a quem leu este texto)
quarta-feira, 10 de novembro de 2021
Luís
Desde cedo o Luís descobriu que não gostava de estudar e foi procurar trabalho. Porém, como descobriu que não
gostava de trabalhar, foi procurar forma de conseguir subsistir sem fazer nada. “Se não gostas de estudar nem de
trabalhar, o que é que vais fazer da tua vida?”, perguntava o seu já muito
desanimado pai.
E o próprio Luís não sabia dar-lhe resposta. Porém, sabia era que não gostava de se esforçar em nada. E ainda tinha a arte de convencer os seus amigos que trabalhar só trazia infelicidade e que estudar era uma pura perda de tempo.
Uma vez a sua tia, D. Belmira, virou-se para ele e disse “Como não gostas de trabalhar nem de estudar, devias era arranjar uma velha rica”, e essa frase, lançada como uma brincadeira, destinada a cair em saco roto, bateu fundo na cabeça do Luís. E se fosse essa a solução? E se fosse essa a sua forma perfeita de viver a vida?
No dia
seguinte, todo janota e com a barba feita, lá estava o Luís em casa da sua tia
para saber se ela tinha amigas ricas, de preferência velhas como ela, pois as
novas endinheiradas nada queriam com ele. É que um tipo tem de se safar na
vida, e esta parecia ser uma excelente forma de se viver, desde, claro está,
que a velha não o pusesse a trabalhar.
Depois de
muito se rir e de verificar, com espanto, que o seu sobrinho realmente falava a
sério, a D. Belmira pôs-se a pensar qual seria a melhor "vítima". Tinha de ser rica e velha, e como ia levar com um cromo como o seu sobrinho, tinha de
ser bastante ingénua e muito crédula.
A escolha
recaiu logo na D. Augusta, uma viúva endinheirada e que se julgava ainda na
flor da idade, se bem que essa já tinha passado há muito. Ela tinha uns pretendentes, mas eram mais caquéticos que ela, e por isso não ofuscariam a pretensão do Luís.
E a D. Augusta foi logo convidada para almoçar em casa da D. Belmira, e tal como combinado, apareceu “de surpresa” o Luís. “Estava a passar por aqui e
resolvi aparecer para dar um grande beijo à minha linda tia”, disse um Luís
falsamente carinhoso, perante os olhares gulosos da esfomeada D. Augusta, viúva
há demasiado tempo….
E foi assim que o cabrão do Cupido apareceu à janela e disparou a sua seta encantada,
atingindo o coração empedernido da D. Augusta, encantando-se imediatamente pelo Luís. Era o Luís para aqui, o Luís para ali, moço tão formoso, olha que
busto, tão simpático, tão prestável, que sorte de ser seu sobrinho, D. Belmira.
E no
fim do almoço lá foi o Luís acompanhar a D. Augusta a casa, para esta não ir
sozinha, pois podia-se sentir mal, e no caminho, a velha ia relatando o que
tinha de posses, e o que não tinha de herdeiros, fazendo com que o Luís
começasse a “afiar as facas” no
propósito de ficar o resto da sua vida como queria, ou seja, sem fazer pevide.
Olhou de
soslaio para a viúva e disse para si mesmo “Esta
velha carcaça só deve durar mais uns três anos”, e rematou: “Três anos de inferno e trinta de paraíso.
Parece-me mesmo muito bem!”, e com o sorriso mais cínico que conseguiu, deu o
braço à D. Augusta e começaram a caminhar em direção àquela que, em breve, seria a sua nova casa.
Os dias
passaram e Luís e Augusta eram cada vez mais inseparáveis. Ele ainda teve de
correr com uns dois ou três pretendentes, que andavam a “arrastar a asa” à D. Augusta, mas como não eram tão rijinhos de
carnes como o ele, não apresentavam ameaça credível. E quando o vento
frio batia nas vidraças, o Luís lá ficava a aquecer-lhe o edredão de penas…
O que o Luís não esperava é que nesse
entretanto, a viúva pareceu rejuvenescer, passou a usar roupa de cores mais
claras, e emagreceu bastante, enquanto que o Luís deixou crescer o bigode, numa tentativa de parecer mais velho e responsável. E saíam
todos os dias para almoçar na Baixa, em restaurantes com mesa marcada.
Já se tinham passado mais de seis anos desde que os pombinhos se tinham conhecido, e eles pareciam que tinham trocado de idade. A D. Augusta estava elegante, confiante e saudável, enquanto que o Luís parecia que tinha envelhecido vinte anos, sempre com um semblante carregado.
É que a vida do Luís nestes últimos anos tinha sido apenas tratar da D. Augusta, com imensos requintes
e horários rígidos: era o cházinho de ervas, a massagem dos pés e dos bicos
de papagaio, o tratamento dos calos, a confeção do jantar com dieta
rigorosa, as compras, o raio que a parta!
E o Luís só
pensava “Mas esta velha não morre?”,
“Mas como é que o raio da velha está cada vez mais saudável?” “O que é que eu fui fazer da minha vida?”. E começou a entrar em
depressão, em desespero, em angustia, e piorava muito quando se cruzava com alguma
jovem da sua idade e ela deixava largar um olhar mais demorado.
“Tenho de fazer alguma coisa senão rebento! A
velha tem de ir e é já.” E eis que, num impulso, Luís marca uma
viagem surpresa à Madeira, destino romântico de eleição, com o objetivo da sua
Augustinha conhecer a ilha, mudar de ares, deixá-lo sossegado uns dias. E
claro, resolver o seu problema.
E lá foram
as duas alminhas para o Funchal, ficando instalados num excelente hotel com
uma vista magnifica sobre a baía. A Augustinha muito feliz com a surpresa, e o
Luís com a esperança que dias melhores ainda podiam vir, e marcaram um tour à
roda da ilha, com um passeio por uma das Levadas mais belas.
A Levada que
o Luís escolheu tinha apenas 1,5 km de ida e de igual
distância na volta, não sendo necessário guia e dentro das possibilidades
físicas da D. Augusta, e era muito recomendada, chamada “Vereda
dos Balcões”, com vistas incríveis sobre um profundo vale, na Freguesia do
Faial. Era perfeito.
No percurso,
Luís, manhoso, deixou-se ficar para trás, à espera do momento certo, enquanto
que a sua Augustinha tirava fotos e lançava gritinhos de contentamento “Ó meu
querido, olha ali que é tão lindo”. Luís cerrava os dentes e dizia “É mesmo uma
linda paisagem, meu amor, mas sabes que tu és muito mais linda que tudo isso,
não sabes?”. E lançava-lhe beijos para o ar.
Chegados ao
Miradouro dos Balcões, Luís abraçou-a por trás e contemplaram juntos a
paisagem incrível. Ele sentiu que era chegado o momento. Mas, ao iniciar o ato
criminoso que arquitetou, arrependeu-se, sentiu que não tinha fibra moral para
tal, nem sequer maldade suficiente. Uma coisa era pensar, e outra bem diferente
era executar.
Mas no meio
de todos esses pensamentos, Luís já tinha dado ao seu corpo um impulso em
direção ao precipício, no sentido de empurrar a sua Augustinha, mas eis que nesse preciso momento ela debruça-se para ver melhor o fundo do vale, e o Luís ganhou balanço em direção ao
espaço aberto, e sem a levar com ele…..
E o Luís
viu-se assim a cair nas profundezas, sabendo bem que ia morrer daí a segundos, vendo ao
mesmo tempo que a sua Agustinha permanecia sã e salva, como intimamente queria,
no alto da montanha, sentindo no desespero dela que o amava de verdade, e ele finalmente
seria livre de todas as amarguras que a sua vida lhe tinha proporcionado. E desta
forma, morreu feliz!
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
O Acordar de um Sonho
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
A Queda da Liberdade
Vivo num país democrático, com todas as liberdades e garantias, e em que as leis asseguram que os seus habitantes tenham toda a liberdade para poderem exprimir as suas opiniões, sobre todos os temas, sem receio de serem perseguidos.
Até há uns
anos atrás, se queria saber mais sobre qualquer assunto, via, ouvia e lia opiniões
de especialistas. Se aceitava ou não as suas opiniões, era um problema
exclusivamente meu, mas se não concordasse, não me passaria pela cabeça ir ter
com essas pessoas para lhes mostrar o meu desagrado.
Atualmente,
vejo pessoas, por vezes completamente desinformadas, mas com opiniões irredutíveis
sobre um determinado tema, a procurar destruir moralmente os que não partilham as
mesmas opiniões, restringindo as suas liberdades e direitos de pensar
diferentemente.
Se num
passado recente, nenhum tema era tabu, e podíamos abordá-los e discuti-los
civilizadamente, agora todos são tabu, pois com as opiniões e as tomadas de
posição tão extremadas, ninguém de bom senso ousa expressar a sua opinião, com
receio de ser queimado em praça pública pelos extremistas.
É que na
realidade todos os temas são controversos, desde a religião à politica, do
ambiente à sexualidade, da educação à exploração espacial. E todos são suscetíveis
de lutas fratricidas e de tomadas de posição extremadas, especialmente quando falta
o mais óbvio bom senso.
Assim, se não
são os governos que limitam as liberdades individuais, são as pessoas que
perseguem e intimidam os que têm pensamentos divergentes dos delas. E desta
forma assistimos à queda da liberdade de expressão e de pensamento nos países
ditos democráticos e livres…..



