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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

A Lua

 



Uma Lua enorme apareceu de súbito de entre as árvores, e tão fortemente iluminada que mais parecia uma estrela gigante, num céu profundamente negro.

Desde há minutos que ouvia uivos de lobos, e pelo som senti que estavam perigosamente perto.

Sem outras opções, subo a um pinheiro bravo com ramadas fortes, para poder suportar o meu peso, trepo até aos ramos mais altos, e amarro-me fortemente ao seu tronco.

Nesse preciso momento inúmeros lobos passam por baixo de onde estou, a perseguirem em alta velocidade uma presa que não consegui ver bem o que era, mas que me parecia envolta numa bela luz dourada.

Tão excitados estavam os lobos na sua  perseguição que, aparentemente, nenhum detetou o meu rasto, pelo que abandono rapidamente a árvore e fujo dali.

Necessito de abandonar a floresta, mas o problema é que esta é enorme, e se não sei onde estou, muito menos consigo saber para onde tenho de ir.

A Lua surge novamente e diz-me que me acompanha, que me apoia, que me vai aquecer e iluminar o caminho, e eu, com a esperança renovada, sigo na sua direção.

Do nada deparo-me com uma colina íngreme, o que me deixa bastante satisfeito, pois é sabido que os lobos não apreciam muito este tipo de terreno.

Mas a minha preocupação de sobrevivência continua, pois poderei estar a escapar de lobos me encontrar com ursos ou coisa pior, como buracos ocultos no gelo.

Mais uma vez, a Lua diz-me que devo permanecer confiante e calmo, e que esta aventura terá no seu final uma agradável surpresa, e eu sorrio, confiante na sua palavra.

Quando chego ao alto de um alto penedo para tentar avistar o final da floresta, deparo-me com um brilho dourado intenso, a rodear uma criatura.

Apesar do enorme susto que tive ao ver algo tão estranho, senti que aquela luz dourada e quente me estava a atrair.

A neve fofa abafa o ruído dos meus passos, e estou cada vez mais próximo, e a ver cada vez melhor tão estranha criatura.

Ao chegar mais perto, verifico que é uma criatura lindíssima, mágica, da qual nunca tinha visto nem ouvido sequer falar.

Reparo com tristeza que a bela criatura está ferida, com fios de sangue a correr pelo corpo, e compreendi que tinha sido atacada pelos lobos.

Ao notar a minha presença, a criatura assustou-se, mas não conseguiu pôr-se em fuga, tal o seu estado de fraqueza extrema.

Senti no meu intimo que tinha de levar a criatura dali, pois de certeza que daí a pouco tempo os lobos voltariam, para terminarem o que já tinham começado.

Pego na criatura nos meus braços, e para além de parecer não ter qualquer peso, até me dava a sensação de eu próprio estar a flutuar.

Animado com esta nova vantagem, começo a correr montanha acima, ouvindo cada vez mais longe os lobos a uivar de raiva ao longe, frustrados.

Chegámos perto do topo da montanha mais alta das redondezas, e descubro a entrada de uma caverna que me pareceu bastante acolhedora.

A caverna era perfeita para nos acolher, proteger e aquecer, pois, para além de servir de abrigo, permitia ver sem ser visto.

Dentro da caverna, vejo a criatura rapidamente a recuperar dos seus ferimentos, sem eu ter necessidade de fazer absolutamente nada.

À medida que se recuperava, o brilho da criatura aumentava, e as suas feridas sararam completamente em questão de poucos minutos.

Assim que ficou sarada, a criatura assumiu uma forma completamente humana e asas surgiram das suas costas, enquanto eu caí de joelhos, tal o meu espanto.

E o Anjo falou comigo numa estranha e linda língua, completamente desconhecida para mim, mas mesmo assim, consegui perceber tudo o que me disse.

O Anjo contou-me que, em desespero, tinha pedido à Lua que o salvasse, mas que teve como resposta que não podia, pois estava muito longe.

Mas a Lua tinha-lhe dito que ia enviar a pessoa perfeita para o salvar, e que estivesse descansado, pois a ajuda chegaria mesmo a tempo.

Dito isto, o Anjo fez-me uma profunda vénia de agradecimento, e voou em direção à Lua, a sua eterna companheira.

E foi assim que eu fiquei a saber que há muita coisa para além do que vemos e sentimos, e muitas delas são mágicas e lindas.

E que nada na vida acontece por acaso….

(E um Feliz Natal a quem leu este texto)