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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Mudar o Mundo


James C. Hunter diz que “Queremos mudar o mundo mas não a nós mesmos”, e esta frase vem ao encontro com o que escreveu George Shaw: “O homem sensato adapta-se ao mundo e o homem insensato insiste em adaptar o mundo a si. Sendo assim, qualquer progresso depende do homem insensato”.
Para baralhar a equação, acrescento-as à frase de Carl Rogers: “Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”.
Visto dessa forma, partilhamos o nosso Mundo com um gigantesco bando de insensatos, que se recusam a mudar a eles próprios e apenas conseguem ver os seus próprios mundos reflectidos nos olhos dos outros.
E ainda por cima, cada uma dessas empedernidas criaturas está plenamente convencida que o seu modo de pensar e de viver é que está realmente certo, e que o seu caminho é o único que está correcto!
Isto parece uma coreografia gigante, envolvendo centenas ou milhares de pessoas, e em que cada um dos participantes julga que é o único que está no compasso certo…

E assim vamos (sobre)vivendo no fio da navalha, em que cada um cuida do seu perfeito mundinho, ao mesmo tempo que olha com desdém e reprovação para o umbigo do outro, desperdiçando desta forma recursos preciosos, como o tempo. E tão inutilmente…..

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Evolução



Como é sabido, os nossos corpos, mentalidades e sensações sofrem alterações substanciais ao longo das nossas vidas. Se esse facto é notório e visível no que respeita ao corpo, já a alteração das mentalidades e sensações é algo que tende a escapar mesmo a nós mesmos.

O meu cardápio foi durante muitos anos constituído por hidratos de carbono e proteínas. Dizendo melhor, massas, arroz e carne. Por mim o peixe podia ficar sossegado nas suas águas que se não me incomodasse, eu lhe faria o mesmo. A sopa também. De preferência a dar banho ao peixe....

A minha existência permaneceu assim alimentarmente estável e incorrupta. As minhas
bebidas de eleição sempre foram água, sumos, colas e cervejas premium. Claro que sabia da existência de "outras bebidas", consideradas mais nobres, mas por mais esforço que fizesse, não conseguia compreender o porquê da sua veneração, nem da existência de uma legião de adoradores.

Ao passar barreiras etárias, descubro com certo espanto que o meu palato estava a mudar. Já não exigia hambúrgueres e batatas fritas. Pior! Revoltava-se quando eu os impingia. À comida simples mandava-me passear. O meu palato estava pronto para a mudança. Eu não. Ainda.

O meu encontro com Baco surgiu, tal como algumas coisas na minha vida, bastante tardio.

Resumindo, com um grande amigo e após umas horas de trabalho, descubro que o melhor acompanhamento de umas pizzas congeladas era um simples.... JP Private Selection 2011, da afamada casa Bacalhôa. Isso dizia muito. Ou tudo.

Descobri aos poucos que vinho é cultura (acharia ridícula esta ideia há uns anos....), que é uma arte, que é uma ligação à terra, e que é, como ouvi no excelente filme Sideways (2004), "algo vivo".

Quem me conhece sabe perfeitamente que jamais faria apelo ao consumo de álcool.


Apenas faço um apelo a que libertemos as nossas sensações, deixando que nossas as papilas


 gustativas nos deliciem com o aroma e gosto de um bom vinho….

Bem dita evolução!