quarta-feira, 14 de junho de 2017

Dançando com os meus Demónios


O filósofo espanhol Miguel de Unamuno afirmou que “Geralmente, quando detestamos alguma coisa nos outros é porque a sentimos em nós mesmos.” 
Realmente, muitas vezes não conseguia ver defeitos em mim próprio, mas apenas porque me recusava a vê-los. Porém, conseguia vê-los nos outros!
Decidi assim tentar mudar e pus-me a estudar o meu comportamento. Passei a olhar mais para dentro de mim e menos por cima do ombro, para os outros.
Confesso que não foi nada fácil enfrentar os meus defeitos, os meus medos, os meus Demónios. Mas era agora ou iria viver assim o resto dos meus dias.
Assim, de vez em quando, combino um serão de dança com os meus Demónios. E confesso que os sacaninhas têm mesmo jeito para aquilo!
Eles sabem que há sempre uma noite de dança quando estou bem comigo mesmo!
E quando isso acontece, os meus Demónios ficam esfuziantes. Até tomam banho e vestem uma roupa lavadinha!
Mas quando não estou bem, evito-os, escondo-me e nem quero ouvir falar deles. E rezo para que eles não queiram saber de mim.
Eles que vão é chatear outro!
Mas reparo que cada vez menos isso acontece, pois quero-os quase sempre junto a mim, mesmo sabendo que carregam grandes defeitos….
Paradoxalmente é com os Demónios que me sinto bem, em casa. No fundo, tornámo-nos companheiros inseparáveis!
É com eles que eu vivo e é com eles que enfrento, mal ou bem, a realidade dos meus mundos, interior e exterior.
E confesso que dos dois, do que tenho mais receio é do interior, pois desse nunca há como escapar. Ou fugir…