quarta-feira, 3 de maio de 2017

EU SEI - ANDREIA Capítulo Final (4 de 5)


O tal Jantar ficou assim combinado, tal e qual como a "Aranha" quis e bem entendeu. O Ivo julgava que estava a liderar o processo, mas na realidade estava apenas a seguir sugestões da Sónia. Ai se eles sequer imaginassem como eu me estava a sentir....
Sabia que estava prestes a perder as duas pessoas por quem nutria sentimentos muito fortes. E sabia também era completamente impotente para fazer algo que pudesse travar isso.
No entanto podia ter aberto o meu coração com o Ivo e dizer-lhe dos meus sentimentos, mas para isso era incontornável falar-lhe da Sónia. E do que eu lhe diria dela. Será que ele compreenderia? Sentir-se-ia traído? Eu sentir-me-ia.....
Temia igualmente que o Ivo me dissesse que continuava a amar a Sónia, inviabilizando qualquer hipótese com ele. Assim, preferi continuar na ignorância. Podia ser que assim custasse menos......
Mas sabia no intimo que era já demasiado tarde para nós os dois, pois ele iria ser apanhado. Ou então já estava, e nem sabia o que lhe iria acontecer.
Quando no Jantar vi o André, não sei se por ciúmes ou não, detestei-o. Visceral. Ele podia ser a melhor pessoa do mundo, mas logo que o vi sabia que não o suportava.
Poderia ser sugestão mas notei no André algo que parecia escapar à Sónia. Ou não…..

Quando entrei vi o André e a Sónia agarrados. Pareciam estar a dançar, mas parece que se desentenderam, pois largaram-se rapidamente. E reparei que ele ficou com uma expressão muito estranha. Mesmo muito estranha....
No decurso do Jantar (que até nem estava a correr mal, dadas as circunstâncias), o André foi confrontado com o seu passado. A Sónia tinha mesmo tudo estudado. E todos os outros eram simples marionetas.
André, conta-me do teu desgosto amoroso. Ouvi dizer que foi maravilhosamente trágico”, disse a Sónia com uma suavidade arrepiante, num tom que parecia ter sido tirado de um qualquer livro do Romantismo Português do Século XIX.
Os olhos de André passaram do espanto ao profundamente tenebroso, para voltarem ao maravilhoso para por fim terminarem num ódio por estar a passar por aquela provação, completamente inesperada.
Preparava-se para responder quando tocou o seu telemóvel. A contra gosto e depois de pedir desculpa, o André atende, referindo para si como sendo de um número privado.
A sua cara transmutou-se quando reconheceu quem lhe ligava: “José??? Mas que raio me queres tu, filho de uma p….,?? Calma? Mas tu o quê, queres-me dizer onde está a Lúcia? Mas….. porquê???
Recebida a informação a chamada é imediatamente desligada por parte do tal José. André tira os olhos do telemóvel e vê que todos estamos em suspenso a olhar para ele. Lentamente fita a Sónia, e o seu olhar soa inevitavelmente a despedida. Os olhos dele brilhavam, sorriam, deslumbravam. Era um outro homem!
Tal como eu tinha suspeitado, o André não estava perdido de amores pela Sónia. Na verdade nunca a tinha amado. Ela era apenas um engodo, um passatempo. A Lúcia é que é a sua “tal”, e que tanto esteve presente neste jantar, e sem nunca termos dado por ela….
(continua)